Pedra?

Chega um momento das nossas vidas em que o café esfria, o cigarro apaga, a música perde a graça e o mundo parece que desaba. Não sei se já aconteceu com você nem se acontecerá eventualmente… Espero que não. O que fazer quando os dias ficam cinzas? A vontade de fazer algo realmente produtivo aparenta tamanha fragilidade que quanto mais você tenta apanhá-la, desaparece. O tempo não espera, continua passando. Tudo vira um filme em câmera lenta. Você sabe que está ali, só não se sente assim. De protagonista passa a ser um mero expectador. Cheio de expectativas. Vazio de ações. O simples transformando-se em algo extraordinariamente difícil. Respiração em suspiros. De repente, a cama e teu travesseiro viram os teus melhores amigos – abraçando qualquer oportunidade para ficar perto outra vez; ao máximo. A hora de dormir nunca foi tão arduamente desejada quanto nesse tal momento. Quanta coragem que é essa para se viver! E, sentir-se vivo. É preciso muita diante de tudo. A cada tropeço, um recomeço. A cada lágrima, um sorriso. Sobretudo, no rosto um sorriso. No final, é o que importa. Não é o que tu tens. Não é o que tu fez. Não é teu passado. Não é teu presente. Nem o teu futuro prestes a chegar, mas sim se estarás feliz. O caminho é difícil ou fácil para todos, a única diferença será a maneira como você irá enxergá-lo. Imagine que a vida é a rua de sua casa e que todos os dias ao sair você tropeça na mesma pedra. A pedra só irá te impedir de caminhar tranquilamente se você continuar a não se permitir mudar de perspectiva e arriscar.

Continue Reading

Pintura em tela: primeiros materiais

Iniciei nesse mês uma monitoria ofertada pela UFPI, num programa para idosos dentro da universidade. E, devo dizer que tem sido uma experiência incrivelmente linda! As minhas manhãs nas sextas-feiras mudaram completamente – para melhor.

Além de ser monitora, o professor de lá tem me adotado como aluna e me ensinando técnicas de Pintura em tela. Eu sempre me interessei por coisas que envolvem arte de modo geral, mas de tudo o que mais chamava a minha atenção era isso. Quando vi na lista que havia vaga pra pintura em tela, meus olhos já brilharam.

Agora darei início realmente a um hobby que desejava muito que fizesse parte da minha vida. Aos poucos vou comprando mais materiais e praticando tudo que eu puder aprender dentro e fora das monitorias. Arte é dedicação e eu darei o melhor de mim.

Hoje comprei meus primeiros materiais e aqui irei discriminar cada um deles para vocês.

Em breve sai o meu primeiro quadro!

14642316_1288560477862101_4396813469066755018_n

Não são potinhos próprios para pintura, mas gostei deles pelo formato e custo. R$2,90

14681724_1288560484528767_6861466286718112783_n

CORES: Preto / Azul marinho / Verde oliva / Turquesa / Tangerina / Amarelo outro / Amarelo Limão / Brando metalizado. Os preços variam, mas tudo saiu por R$31,90

14731138_1288560481195434_437882737854492964_n

TAMANHOS: 24, 20, 10 e 2. Tudo saiu por R$19,50

 

Continue Reading

ASA em Barras – PI

Sabe quando você está tão ansioso por algo que não consegue dormir ou sequer sentir sono? Foi o que senti de ontem noite pra hoje. Passei o resto do domingo assim.

Só nós bem sabemos o quão nos doamos e nos preparamos nesses últimos dois meses. E foi tanta coisa acontecendo simultaneamente que, às vezes, achei que não daria conta. Por fim, deu tudo TÃO certo. Hoje, nesses anos todos que pratico o voluntariado de maneira mais assídua, foi um dos dias que mais marcou a minha vida. O tempo não haverá de apagar.

Os demais acordaram juntos com o nascer do sol e nos encontramos na minha casa. Assim que organizamos as doações no segundo carro, pegamos a estrada. Uma parada em Cabeceiras para buscar um dos nossos voluntários e seguimos para o destino final, Barras – PI. Tomamos café na casa da minha amiga, que é uma das administradoras do grupo como eu, e fomos ao encontro tão esperado por nós.

Ao chegarmos lá, fomos muito bem recepcionados. Conversamos com eles e começamos a entrega das doações. Tudo foi acontecendo de modo tão rápido e intenso. A casa é pequena e humilde – feita de taipa – e estava com várias pessoas transitando juntas. Caixas pra lá e pra cá. Crianças admiradas e enérgicas querendo acompanhar tudo o mais pertinho possível.

Eu me senti renovada. Aliviada. Emocionada. Orgulhosa. Feliz.

Montamos a mesa para que eles se alimentassem com o lanche que organizamos para eles. Salgadinhos, bolos e refrigerantes. Eu vi fome, de verdade. Vi o verdadeiro saciar. As crianças, magricelas, foram as que mais comeram. Elas simplesmente não paravam de retornar à mesa e buscar mais salgadinhos ou bolo. A boca cheia e as mãos prontas para encher mais e mais.

Conversamos com todos, para entender melhor a situação. Pude observar e analisar várias coisas. Dentre elas: acomodação. Eles chegaram em um ponto de acomodação. De dizer “tudo bem” para a miséria. Uma das crianças contou sobre a energia, não havíamos notado ainda. Poucos dias antes de irmos lá, eles conseguiram energia elétrica. Fiquei tão feliz com esse avanço pra eles. Querendo ou não, foi um grande salto.

Não sei quais fatores exatos são responsáveis por isso, mas eles possuíam uma memória bem deficiente. E uma desatenção enorme. Numa conversa explicando sobre os remédios de verme para os adultos, eu explicava várias vezes e ainda assim eles não conseguiam repetir. Assimilar as instruções. Desenhamos, explicamos e nada. Até que um dos mais velhos disse que sabia ler e ficou responsável por isso. Quando contamos de onde éramos, eles ficaram incrédulos.

Uma das crianças, a Grazi, foi a que mais chamou a minha atenção. Que criança incrível. E engraçada. Sou suspeita para falar, pois amo crianças. Ela também criou uma afinidade comigo rápida ali. De vez em quando chegava: ei, eu gosto de tu! Ou chamava para fazer algo. Tudo que via falava bravamente que era dela. Tudo era da Grazi. Sorrimos muito.

Brincamos de bola. Demos colo para o bebê. Recebemos os agradecimentos. Infelizmente, chegou a hora de darmos tchau. Eles nos pediram para ficar mais, e nós queríamos. Mas ainda iríamos almoçar e nos organizarmos para pegar a estrada na volta. Registramos cada momento. E por fim, tiramos fotos com todos reunidos. Na casa da Thaís – a amiga que falei acima – comemos, descansamos e tivemos um momento nostálgico: brincamos.

Depois esperamos “o sangue esfriar” enquanto conversávamos. Ajeitamos tudo e nos despedimos do pessoal da casa. Era hora de entrar nos carros e voltar para Teresina. Foi incrível! E só serviu para firmar mais ainda o meu propósito: ajudar quem precisa. E se depender de mim, farei isso pro resto da vida. Espero inspirarmos mais e mais pessoas para fazerem o mesmo. Eu acredito que é possível para todos. As pessoas colocam culpa no tempo, no dinheiro, na vida; em tudo! Menos nelas mesmas. Não falta isso, falta amor, pois é só o que precisamos. Todos nós.

Ajudarmos as pessoas que precisam só é preciso uma coisa: querer. Se você quer, tudo é possível. Basta correr e ir atrás. Fazer o bem faz bem. ♥

Texto feito na tarde do dia 25/09.

Segue algumas fotos da nossa ação.

whatsapp-image-2016-09-26-at-19-43-36 whatsapp-image-2016-09-26-at-19-43-37 whatsapp-image-2016-09-26-at-19-43-38 whatsapp-image-2016-09-26-at-19-43-33 whatsapp-image-2016-09-26-at-19-43-34

Continue Reading

Amar é humano

Em todo momento da história da nossa humanidade, as pessoas viveram em momentos recheados de coisas boas e de coisas ruins. Quando o assunto é relacionamento, não é diferente disso. Se pararmos hoje para refletir como as pessoas se relacionavam em gerações anteriores à sua, há inúmeras divergências e também alguns pontos em comum.

Por exemplo, antigamente as pessoas tratavam o compromisso com uma pessoa de maneira mais séria e com todo contexto moralista envolvido. Quem se casasse com você, estaria com você até o seu leito de morte. Atualmente, da noite pro dia o amor da sua vida torna-se um desconhecido – na primeira briguinha ou nos primeiros bad days, tudo vai para os ares. Sendo assim, em período de TPM: não comece nenhuma relação! HAHA

Há casos e casos. Cada pessoa é uma pessoa. Sim, nós bem sabemos disso. Ainda assim dá para se ter uma noção ao analisar o quadro com uma visão geral da coisa. Quando paro pra relembrar dos meus colegas de infância, havia uma grande quantidade de pessoas que cresceram com pais separados. Mas os pais desses pais dos meus colegas, estavam juntos e ainda estão. E os pais dos pais desses pais dos meus colegas provavelmente viveram uma vida inteira juntos até a morte os separar – como se diz nos votos de casamento.

Também não sejamos extremos. Não sou contra o fim. Os fins são necessários tanto quanto os começos. Até porque há uma enorme diferença entre empurrar um relacionamento e fazer ele funcionar para se tornar algo duradouro. De que adianta passar 10 anos ao lado de alguém se os dois estão infeliz? Pra mim, se em um dos lados não está satisfeita e nem quer mais estar ali, acaba, cara! Não tem essa de mimimi. Não suporto escutar aquele típico discurso de metido a bom/boa moço(a): “ain, eu tô com pena de terminar com fulano ou cicrana, vai sofrer com isso”. Não, ela está sofrendo agora e ficará melhor sem ti. Poupe todo mundo!

Você deveria refletir sobre si, talvez. Por estar tão atrelado ao próprio umbigo que fica tentando prender e impedindo alguém de viver e compartilhar as coisas com outro alguém que realmente esteja afim das mesmas coisas que ela. Se você não quer mais estar com a pessoa, quer conhecer coisas novas, tudo bem. Fases. Acontece. Mas deixe ela livre, pois você não ganhará nada com isso. Pelo contrário, não vai conseguir experimentar as coisas que quer completamente já que ao ficar segurando alguém, você também é segurado.

Relacionamentos são vias de mão dupla. É reciprocidade. Estar na mesma página, sim! Não há como fugir disso. Em tempos de liquidez quem tem um amor quente é rei. O amor moderno está diretamente ligado na urgência em que as pessoas querem tudo, toda hora. É tão corriqueiro. Ficam pensando no passado, com medo do futuro e esquecendo do presente. Simplesmente não vivem. E nem muito menos se satisfazem. Todos nós sabemos que ser humano é sinônimo para qualidades, defeitos e um turbilhão de sentimentos e marcas que a vida deixa ao passar do tempo.

Sobretudo, mesmo sabendo, há umas tentativas ridículas e incontáveis em encontrar o par perfeito. Que idealização ridícula! Perfeito? Metade da laranja? Você vai morrer sem ter vivido um dia. E, pior, sem ter vivido um amor de verdade. Se encontrar alguém que te faça sentir paixão, tesão, amor e te faça feliz, fique com ela. Não me venha com essa de que estará perdendo tempo com tantas pessoas que existem por aí para se conhecer. É claro que existe. Mas o que você prefere: viver miseravelmente como um eterno insatisfeito em busca de algo inalcançável ou como alguém que se permitiu para o amor e toda a calmaria que o envolve?

Calmaria, sim. Paixão passa. Passa. Não adianta dizer que não passa. Sabe aquele frio na barriga? Mãos suadas? Coração palpitando? É tudo novo! Uma maravilha esse combo de sensações quando estamos a conhecer alguém, né. Só que se está achando que precisa encontrar alguém que em todo momento que estiverem juntos, mesmo se for por anos, em todos os dias você sentirá isso eu preciso te contar uma coisa: não vai. Porque isso não existe. Ninguém iria aguentar. A paixão é como uma fogueira enorme de São João, com aquele calor e aquela chama enorme. Já o amor é aquela brisa leve durante o ano inteiro.

Entende a diferença? Agora entenda outra coisa, você é imperfeito. O outro também será. Aprenda a reconhecer todos os lados da pessoa que está contigo com esse pensamento em mente: ela é humana. Vai errar. Vai acertar. Vai ter dias bons e ruins. Vai ter vitórias e derrotas. Tem sentimentos. Sente muito assim como eu e qualquer outra. E que se até em contos de fadas as pessoas são falhas, na realidade a proporção é ainda maior.

Aceita que dói menos.

Continue Reading

Você merece mais do que alguém que te procura só quando lhe convém

Você merece mais do que alguém que te procura só quando lhe convém. Mais do que alguém performático buscando matar uma vontade e fingindo se importar. Merece além do que uma pessoa que só te quer entre quatro paredes. Uma pessoa que acha que está tudo bem em agir desse modo babaca e ficar por isso mesmo – pois bem, não está e você não tem que ficar calada diante disso.

Você merece mais do que uma pessoa que não tem interesse em saber como foi o seu dia ou como você está. Mais do que alguém que não está ligando para as suas conquistas ou derrotas. Merece além do que uma pessoa que só estará por perto quando tudo estiver a mil maravilhas, mas foge na primeira gotinha de tempestade que esteja por vir. Uma pessoa que acha que falar que está com saudades ou pedir desculpas significa algo quando não é nada sincero.

Sim, você merece mais. Bem mais. Você merece alguém que te procure até de madrugada ou no comecinho da manhã, nem que seja para desejar um ótimo dia ou um boa noite. Alguém que se importa de verdade e não tem vergonha ou o menor receio de estar ao seu lado, seja onde for – pelo contrário, se sentirá orgulhoso por ser essa pessoa. Uma pessoa que te trata bem e, principalmente, que te faça bem só por estar por ali.

Você merece alguém que te ligue só para escutar a tua voz. Alguém que fica feliz com as tuas realizações; sobretudo, oferece o ombro diante dos insucessos. Alguém que diante dos momentos ruins ao invés de correr, finca o pé e espera passar contigo. Alguém que não dispensará as inúmeras mensagens de que está com saudades, pois a qualquer momento fará de tudo para te encontrar. Alguém que entenderá que um pedido de desculpas sem significado é tão ruim quanto o motivo do pedido, e que valem bem mais atitudes que reparem do que palavras jogadas ao vento.

Alguém que te veja e te enxergue como uma pessoa imperfeita, como qualquer outra, mas digna de respeito, consideração, entre outras vertentes sobre as quais as relações são baseadas. Alguém que não fica apontando cada defeito teu que encontrar como se nela não existisse um sequer. Alguém que seja parceiro. Alguém que seja cúmplice. Alguém que te transforme em plural, mas sem perder a tua individualidade.

Alguém que te tire do sério, fazendo-te sorrir. Alguém que te enlouqueça, se for de amor. Alguém que te impulsione. Alguém que te apoie. Alguém que te entenda. Alguém que te suporte. Alguém que faça mais do que existir, faça diferença. Alguém que a qualquer momento você vai encontrar e, quando isso acontecer, entenderá porque foram tantos qualquer até esbarrar num que valha a pena arriscar.

Enquanto isso não acontece, continuarei seguindo a minha vida. Correndo atrás dos meus sonhos e objetivos, porque por mais que seja uma delícia a ideia de ter esse alguém, a vida não para e espera. O mundo continua girando. E o tempo? Passa… Tão rápido quanto um piscar de olhos!

Continue Reading

HUMAN – Documentário

Human é um documentário no qual é reunido vídeos de pessoas de todo o planeta sobre situações diversas de suas vidas. O idealizador entrevistou mais de 2.000 pessoas em 65 países. Do total, foram escolhidas 110 e estão distribuídas em 3 volumes. Temas como amor, homossexualidade ou a migração – entre outros – são abordados. Entre os entrevistados, encontram-se personalidades conhecidas como Bill Gates, Ban Ki-moon, Cameron Diaz ou o ex-presidente uruguaio José Mujica.

Mas o questionamento principal ao meu ver que fica é: O QUE NOS TORNA HUMANO?

 

VOLUME 1.:

VOLUME 2.:

VOLUME 3.:

assinaturaaaa

Continue Reading

Amor Positivo

Eu a conheci por um acaso numa saída qualquer, com pessoas aleatórias no meio da semana. Aquele sorriso torto com covinhas, olhos apertados e batom vermelho mudaram a minha vida. No meio de uma cerveja ou outra, nós começamos a conversar. A festa? As pessoas? Tudo pareceu tão banal. É impressionante a capacidade de algumas pessoas marcarem a tua vida dum jeito a ponto de tornar a passagem do tempo algo irrelevante. Ela era essa pessoa. A cada dia que passava eu queria mais e mais a companhia dela. As conversas. As histórias. Os sorrisos, beijos, abraços e sexo. Tudo era tão gostoso. Sentia-me um dependente daquilo. Atraído cada vez mais pela liberdade dela de ser. De curtir a vida e querer aproveitar coisas que passam tão despercebidas para a maioria das pessoas, como a chuva que ao cair em nós parece limpar a alma e as energias ruins. Ou, talvez, os breves minutos durante o pôr e nascer do sol.

Era do tipo de pessoa que no meio de um dos nossos encontros: parou de falar, virou-se para a lua e passou um tempo ali quieta observando. Observá-la, fez-me querer fazer o mesmo afim de entender o que se passava dentro daquela cabecinha. Ignorando o fato de que havia sido ignorado. Depois, ainda em silêncio, começou a procurar algo em sua bolsa. Virou para mim e pediu que eu observasse tudo que estivesse ali até ela falar novamente. Acatei o que ela disse. Estávamos num parque, sentados na escada de um edifício. Haviam pessoas, animais, pontos de vendas de comida, árvores. Fiquei perguntando-me o que diabos estava acontecendo. E qual era o objetivo disso tudo. Para mim aquilo era tão normal. Observar o quê? Era uma pegadinha?

Ela pegou dois fones de ouvido, um adaptador e conectou tudo ao celular. Colocou uma das suas músicas preferidas: Dog days are over – Florence + The Machine, entregou-me um dos fones e falou “põe, não fala nada e continua observando”. Não conhecia a música. Mas nos primeiros segundos ali sentado, ouvindo e observando tudo ao redor fez todo o sentido. A música realmente tem um poder imenso sobre nós. Sobre como percebemos o mundo. É incrível. Ainda mais vindo dela. Caramba, que mulher! Ela disse que era uma das coisas que mais gostava de fazer quando estava sozinha em algum lugar; o fato de ter compartilhado isso comigo só me fez querer ficar com ela cada vez mais. Conhecer. Saber o que mais de tão interessante ela guardava pra si. Senti-me honrado. Orgulhoso. Feliz. E apaixonado. Muito apaixonado.

Estávamos juntos há algumas semanas, entretanto, nunca tive tanta certeza sobre alguém na vida como tive nesse exato momento. Meses foram se passando. As pessoas que conviviam conosco questionavam a nossa relação. Menosprezavam. Davam palpite. Nunca havíamos dito “somos namorados”. Sempre falávamos “estamos juntos”. Era clara a pressão para que houvesse um status envolvido. Sei lá, ela nunca falou a respeito e nem eu senti necessidade disso no tempo. Estávamos tão bem entre nós dois. O bastante para ignorar isso tudo. Apesar de parecer que éramos um grude. Não. Cada um tinha suas ocupações e compromissos. Ela era livre. Eu era livre. Éramos livres o suficiente para amar um ao outro sem precisar cobrar seja o que for.

Anos foram se passando. Morávamos juntos. A pressão aumentava. Socializar com certas pessoas tornou-se algo exaustivo diante de certas intromissões. Paquerar – Namorar – Noivar – Casar – Filhos – Netos – – – Morrer. Essa era a tal ordem que nos exigiam tanto. Rótulos. Malditos rótulos. Continuamos vivendo a nossa vida. Ignorando. Sim, tivemos filhos. Dois maravilhosos filhos. Um atrás do outro. Era uma delícia toda aquela agitação dentro de casa. Até que ela não aguentou mais toda essa situação e quis falar a respeito. Talvez todas essas perguntas “de tia em reunião familiar” tenham coagido ela a ponto de fazer algo sobre. Então, numa noite qualquer, ao chegarmos dos trabalhos. Ela indagou que precisávamos ter uma conversa séria sobre nós, sem interrupções de ninguém. Mesmo tendo passado todos esses anos, senti um calafrio em todo o corpo. Nunca tínhamos precisado dizer isso para o outro. Algo realmente estava acontecendo.

O que será que eu fiz? Será que esse é o fim que todos falaram tanto que iria acontecer cedo ou tarde por causa do nosso modo de lidar com o nosso relacionamento? Ela se cansou de mim? Só pode ser isso! Ai, meu Deus. Parei. Respirei. Em momentos de tensão, eu sempre fui muito pessimista. Ao tentar controlar isso ao máximo ela começou a falar: Então, eu sei que temos construído uma vida a dois ótima. E que nunca chegamos a conversar ou sentir vontade de “definir” o que temos, o que somos. Você já está farto disso. Saiba, eu também estou. É por essa razão que… (Maldita pausa dramática, quase infartei) eu acho que… (Sério isso? SÉRIO? Fala logo!) você quer namorar comigo? – Então abriu um sorriso enorme ao ter conseguido me enganar direitinho. Voltei à sanidade. Rimos tanto. Ela é a mulher da minha vida. Ela é livre. Eu sou livre. E o cara mais grato de todos por ter puxado assunto naquela noite qualquer.

Ao chegar no quarto, havia a melhor notícia que eu poderia receber – ainda mais depois desse susto. Nosso terceiro filho estava a caminho.

Talvez você tenha pensado que seria o fim. Não condeno. Até eu por um instante louco pensei o mesmo. E isso é o que chamo de “poder dos rótulos” em nossas vidas. Mas fica o conselho do homem mais feliz, amado e realizado do mundo: por favor, não permita que esse “poder” seja maior do que o que você sente. Rótulo é um mero detalhe que recai aos submissos dos padrões e que desconhecem o real poder, do amor.

O amor é maior que tudo.

assinaturaaaa

Continue Reading