1 de Janeiro – Contagem Regressiva

menina observando ceu

Estávamos os dois afastados da multidão reunida na areia da praia, apenas observando a felicidade estampada em cada rosto existente por ali. Quantas histórias, alegrias, dores, expectativas. Mas, principalmente, quantos sonhos! Desejos de todos os tipos para mais um ciclo que ali se iniciara. A chance de um novo e limpo recomeço. Ansiedade tomava de conta de todos.

— As pessoas colocam tanta responsabilidade no coitado do primeiro dia do ano quando na verdade nada e nem ninguém a possui além de nós mesmos. Somos responsáveis pela nossa felicidade e isso não cabe a terceiros, dias ou afins. Infelizmente, na aplicabilidade a coisa toda desanda. Jogamos tudo em cima de coisas e pessoas! Esse é o nosso pior erro, pois a partir do momento em que damos tal liberdade, aquela pessoa tem o direito de fazer o que bem entender, inclusive menosprezar e jogar fora como um lixo qualquer. Esquecemos de que, no fundo, não é o 1 de janeiro que representa o final de um e início de outro ciclo. A cada amanhecer um recomeço. Todo dia você tem a chance de recomeçar. Reinventar-se. Portanto, sejamos revolucionadores de nós mesmos – todos os dias. Soluciona dores.

Com a aproximação da contagem regressiva tão esperada em todos os anos, as famílias e casais se abraçavam e demonstravam seu afeto, gratidão e alegria por estarem ali compartilhando aquele momento juntos. Permanecíamos afastados. Assustei-me e depois soltei uma gargalhada meio torta, isso sempre acontecia entre mim e eles: os fogos de artifício – começaram a serem soltos e o céu de repente virou uma tela.

A cada minuto a pintura nele era mudada para algo ainda mais belo. Toda aquela paisagem era propícia ao nosso amor. A multidão excitada, a areia gelada, o céu numa mistura de cores incríveis e o azul. Ah! o azul intenso do mar que automaticamente me remetia ao dos seus olhos. Tão profundo. Como eu gostaria de me afogar em teu olhar e dele não mais sair por nada além de um sorriso grande e torto.

— Cinco! Quatro! Três! Dois! Um! Feliz ano novo!

Foi uníssono. Mais um 1 de janeiro chegara. E ali, naquele momento tão romântico ficamos a sós, apenas observando. Com o tempo, não sabia ao certo se estava a olhar o mar ou o seu olhar. Meu único desejo não podia ser realizado. Então o fiz de outra forma: que você permanecesse vivo dentro de mim até o fim já que ao meu lado já não era mais possível.


Música sugerida: Vento no Litoral – Legião Urbana

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