Contradição que levou à decisão

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O calor está infernal, quanto mais você enxuga o suor mais você soa. Enrola o cabelo e prende no alto da cabeça, pega o seu horário da universidade e começa a se abanar. O violão é tocado bem perto mais precisamente ao meu lado, um carinha do curso de música sentado num dos seis bancos da pracinha – corajoso, porque usar camiseta preta com a temperatura altíssima não é pra todo mundo. A melodia não é alegre e nem tão triste, é uma melancolia com um toque de felicidade. O dedilhar das cordas é reconfortante e ressoa na minha mente como um banho de água fria – e como eu estava desejando um loucamente nesse exato momento.

Poderia ser um blues, uma bossa nova ou até um jazz, mas eu não saberia distinguir já que estava ocupada demais pensando em como eu não sabia quase nada a seu respeito nem teus gostos e nem teus defeitos. Somos próximos, mas não íntimos. O vento chegou e eu pensei que eu não queria que você fosse como ele, que me trouxesse paz para a minha vida e fosse embora do nada sem ao menos se despedir ou sem perguntar se eu ainda preciso dele – o calor estava me deixando muito mulherzinha… Mudo de posição no banco coloco a perna direita sobre a perna esquerda aderindo ao modo dos homens de se sentar, ponho o rosto apoiado sobre a mão direita e o cotovelos da mesma sobre a mochila, estava procurando a melhor posição para focar meus pensamentos na gente.

Suspiro. Olho para o céu e o admiro. Tento desviar os pensamentos, mas acabo voltando para o mesmo lugar. Olho para o céu e o admiro. Tento desviar os pensamentos, mas acabo voltando para o mesmo lugar. Embora eu não queira fugir, não sei ao certo se o quero na minha cabeça, na verdade, quero e não quero. Não tenho motivos para não me dar a esse luxo a não ser o fato de parecer meio louca por gastar tempo imaginando situações que tem tanto a mesma possibilidade de se tornarem realidade como de permanecerem somente na minha fertilidade mental. Eu quero desvendar o mistério por trás da tua neblina, me perder na medida certa nas imensas nuvens do teu interior e dar fim a nossa longa busca pelo amor, mas sozinha não posso, até porque relacionamentos não são unilaterais.

Eu peço que dê certo, mas irei ficar bem se não for para ser. A dúvida até tentou me fazer acreditar que eu estava perdendo uma oportunidade, mas eu me recuso dar a mim mesma a chance de quebrar a cara. Não vou me jogar de cabeça, corpo e alma em uma incerteza correndo o risco de bater com a caixola em uma pedra e ficar inconsciente e acabar afundando sem querer. Não é covardia, sabe? É precaução. Não é medo, sou eu optando por não me auto defraudar ao colocar minhas expectativas em alguém e quando este não corresponder colocar a culpa no pobre coitado que sequer sabia de toda a trama (que só rolava na minha imaginação particular).

Não quero ser uma dessas mulheres que culpa o universo e toda a população do planeta por ter se decepcionado no campo amoroso/sentimental. Afinal, teria sido eu a alimentar qualquer esperança. Somos bons amigos e continuaremos sendo independente de ocorrer algo entre nós ou não. Estou com pressa de encontrar o “meu alguém” e não desesperada a ponto de criar fantasias mirabolantes e acabar me ferindo, é bem diferente. Não posso interferir no curso do vento, não posso fazer o sol brilhar com menos intensidade, mas posso controlar meus pensamentos e decidir a quem darei o poder de me machucar. Eu me responsabilizo por mim e pelo que se passa aqui dentro. Ponto final.”


Ioná Nunes @palavrie_se

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