nada além de si

às vezes, eu queria ser essas pessoas que conseguem viver uma vida em cima do muro. indecisas e sem emoção. frias. que desconhecem o que é se olhar no espelho e se sentir imerso à loucura dos seus atos em nome do amor – seja pelo que for; ou em nome do desespero que é viver a mil por hora todos os dias. optando sempre pela calma e vida pacata. arriscar jamais. não fazer nada por impulso ou por desejo. não perseguir seus sonhos como um animal faminto persegue sua presa. desistir nas primeiras dificuldades. buscar um caminho mais fácil. achar que a vida é sempre essa coisa bela que faz as coisas caírem do céu, sem luta. sem temor. sem suor. sem dor. não sofrer com as consequências dos atos alheios e, principalmente, com as dos seus. passar a noite em claro está fora da mesa. chorar enquanto a água do chuveiro escorre sobre si? dispensado. não querer experimentar todas as sensações possíveis. privar-se do prazer que toma conta de cada centímetro do corpo. ter uma rotina onde não há espaço para coisas novas. mudança fica pra depois. sair da zona de conforto fica pra nunca nessa vida. às vezes, eu realmente queria ser essas pessoas. mas isso seria negar toda a intensidade dentro de mim e faz pulsar todo o meu ser. meu corpo, minha mente e minha alma. então sigo sendo o oposto disso tudo e nada além de mim mesma.

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