Hóspede por estação

Nessa cidade tem ruas de todo tipo
Do modelo clássico ao esquisito
Muros altos, largos e resistentes
Outros parecem ceder ao soprar entre os dentes

Não ouso passar em algumas casas
Amo liberdade e valorizo minhas asas
Naquelas moram o orgulho, a falsidade…
E quem só ama a própria identidade

Quero casas onde o bem faça morada
Expulse a maldade para a estrada
Que ela vá para bem longe
Aqui o Amor reina e a Paz é o conde

Relacionamento, chama-se a cidade
Trago na mala bons sentimentos e idade
Há por aí alguém que a carregue,
Guie e aceite-me como hóspede?

Relaxe que eu fico por estação
E um cafuné, vou-me no verão
Ao sair deixo-te belas cartas
Amo liberdade, valorizo minhas asas

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Deixa

Está sentindo tudo que sinto sem sentido? Sem direção. Sem rumo. Sentimentos são assim mesmo. Mas sinta. O importante é sentir. E ouvir, você está ouvindo? Calma. Calma. Desliga os sons. Desliga tudo. Só não desliga o peito. Faça silêncio e ouça. O barulhinho de prazer nesta noite fria. Fria lá fora. Cheios de desejos, almas tão vazias. Dentro é quente. Quente de afeto. Quente de amor. Quente de sentir o que não faz sentido. Você sente? Você ouve? Pare. Preste bem atenção no que não é dito por aqui. Nem precisa. Copos e corpos. Falarão por si. Ouve. Pra quê palavras, amor? Pra quê sentido no sentir? Não faz sentido algum.

                             Deixa estar. Deixa ficar. Deixa sentir.

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Vendedor ambulante

Vendo o prematuro
Vendo o aborto
Vendo o imaturo
Vendo o morto 

Vendo o amor
Vendo a saudade

Vendo o pudor
Vendo a maldade

Vendo a crença
Vendo a guerra
Vendo a doença
Vendo a Terra

Vendo a ração
Vendo o rico
Vendo o pão
Vendo o circo

Vendo à beça
Vendo o prazer
Vendo a cabeça
Vendo o entorpecer

Vendo o desencanto
Vendo o sobretudo
Vendo o espanto
Vendo um futuro

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Mesa de bar

Deixei naquela mesa de bar todos os meus medos e anseios. A dor de tudo o que foi perdido. O desejo de ter dito um último “eu te amo” a um amigo, ente querido ou amor esquecido. Vergonha das vezes me vesti de algo além de mim mesma afim de agradar alguém ou daquilo que não fiz nem foi dito; uma maior ainda da busca pelos meios obscuros a fim de escapar desta maldita realidade. Sonhos deixados para trás e largados numa gaveta, assim como os mais singelos desejos. Paixões que definharam por alguma razão ou coisa outra qualquer. Amizades que a distância pegou firme e jogou fora. Certeza de que se o tempo fosse médico eu seria a sua pior paciente em curar as mágoas do passado – hoje, pesadelos que me acompanham.
Saudade? Ah!, essa é a minha fiel companheira de birita.

Deixei tanto…

Deixei-me, naquela mesa de bar.

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