Pedra?

Chega um momento das nossas vidas em que o café esfria, o cigarro apaga, a música perde a graça e o mundo parece que desaba. Não sei se já aconteceu com você nem se acontecerá eventualmente… Espero que não. O que fazer quando os dias ficam cinzas? A vontade de fazer algo realmente produtivo aparenta tamanha fragilidade que quanto mais você tenta apanhá-la, desaparece. O tempo não espera, continua passando. Tudo vira um filme em câmera lenta. Você sabe que está ali, só não se sente assim. De protagonista passa a ser um mero expectador. Cheio de expectativas. Vazio de ações. O simples transformando-se em algo extraordinariamente difícil. Respiração em suspiros. De repente, a cama e teu travesseiro viram os teus melhores amigos – abraçando qualquer oportunidade para ficar perto outra vez; ao máximo. A hora de dormir nunca foi tão arduamente desejada quanto nesse tal momento. Quanta coragem que é essa para se viver! E, sentir-se vivo. É preciso muita diante de tudo. A cada tropeço, um recomeço. A cada lágrima, um sorriso. Sobretudo, no rosto um sorriso. No final, é o que importa. Não é o que tu tens. Não é o que tu fez. Não é teu passado. Não é teu presente. Nem o teu futuro prestes a chegar, mas sim se estarás feliz. O caminho é difícil ou fácil para todos, a única diferença será a maneira como você irá enxergá-lo. Imagine que a vida é a rua de sua casa e que todos os dias ao sair você tropeça na mesma pedra. A pedra só irá te impedir de caminhar tranquilamente se você continuar a não se permitir mudar de perspectiva e arriscar.

Continue Reading

Amar é humano

Em todo momento da história da nossa humanidade, as pessoas viveram em momentos recheados de coisas boas e de coisas ruins. Quando o assunto é relacionamento, não é diferente disso. Se pararmos hoje para refletir como as pessoas se relacionavam em gerações anteriores à sua, há inúmeras divergências e também alguns pontos em comum.

Por exemplo, antigamente as pessoas tratavam o compromisso com uma pessoa de maneira mais séria e com todo contexto moralista envolvido. Quem se casasse com você, estaria com você até o seu leito de morte. Atualmente, da noite pro dia o amor da sua vida torna-se um desconhecido – na primeira briguinha ou nos primeiros bad days, tudo vai para os ares. Sendo assim, em período de TPM: não comece nenhuma relação! HAHA

Há casos e casos. Cada pessoa é uma pessoa. Sim, nós bem sabemos disso. Ainda assim dá para se ter uma noção ao analisar o quadro com uma visão geral da coisa. Quando paro pra relembrar dos meus colegas de infância, havia uma grande quantidade de pessoas que cresceram com pais separados. Mas os pais desses pais dos meus colegas, estavam juntos e ainda estão. E os pais dos pais desses pais dos meus colegas provavelmente viveram uma vida inteira juntos até a morte os separar – como se diz nos votos de casamento.

Também não sejamos extremos. Não sou contra o fim. Os fins são necessários tanto quanto os começos. Até porque há uma enorme diferença entre empurrar um relacionamento e fazer ele funcionar para se tornar algo duradouro. De que adianta passar 10 anos ao lado de alguém se os dois estão infeliz? Pra mim, se em um dos lados não está satisfeita e nem quer mais estar ali, acaba, cara! Não tem essa de mimimi. Não suporto escutar aquele típico discurso de metido a bom/boa moço(a): “ain, eu tô com pena de terminar com fulano ou cicrana, vai sofrer com isso”. Não, ela está sofrendo agora e ficará melhor sem ti. Poupe todo mundo!

Você deveria refletir sobre si, talvez. Por estar tão atrelado ao próprio umbigo que fica tentando prender e impedindo alguém de viver e compartilhar as coisas com outro alguém que realmente esteja afim das mesmas coisas que ela. Se você não quer mais estar com a pessoa, quer conhecer coisas novas, tudo bem. Fases. Acontece. Mas deixe ela livre, pois você não ganhará nada com isso. Pelo contrário, não vai conseguir experimentar as coisas que quer completamente já que ao ficar segurando alguém, você também é segurado.

Relacionamentos são vias de mão dupla. É reciprocidade. Estar na mesma página, sim! Não há como fugir disso. Em tempos de liquidez quem tem um amor quente é rei. O amor moderno está diretamente ligado na urgência em que as pessoas querem tudo, toda hora. É tão corriqueiro. Ficam pensando no passado, com medo do futuro e esquecendo do presente. Simplesmente não vivem. E nem muito menos se satisfazem. Todos nós sabemos que ser humano é sinônimo para qualidades, defeitos e um turbilhão de sentimentos e marcas que a vida deixa ao passar do tempo.

Sobretudo, mesmo sabendo, há umas tentativas ridículas e incontáveis em encontrar o par perfeito. Que idealização ridícula! Perfeito? Metade da laranja? Você vai morrer sem ter vivido um dia. E, pior, sem ter vivido um amor de verdade. Se encontrar alguém que te faça sentir paixão, tesão, amor e te faça feliz, fique com ela. Não me venha com essa de que estará perdendo tempo com tantas pessoas que existem por aí para se conhecer. É claro que existe. Mas o que você prefere: viver miseravelmente como um eterno insatisfeito em busca de algo inalcançável ou como alguém que se permitiu para o amor e toda a calmaria que o envolve?

Calmaria, sim. Paixão passa. Passa. Não adianta dizer que não passa. Sabe aquele frio na barriga? Mãos suadas? Coração palpitando? É tudo novo! Uma maravilha esse combo de sensações quando estamos a conhecer alguém, né. Só que se está achando que precisa encontrar alguém que em todo momento que estiverem juntos, mesmo se for por anos, em todos os dias você sentirá isso eu preciso te contar uma coisa: não vai. Porque isso não existe. Ninguém iria aguentar. A paixão é como uma fogueira enorme de São João, com aquele calor e aquela chama enorme. Já o amor é aquela brisa leve durante o ano inteiro.

Entende a diferença? Agora entenda outra coisa, você é imperfeito. O outro também será. Aprenda a reconhecer todos os lados da pessoa que está contigo com esse pensamento em mente: ela é humana. Vai errar. Vai acertar. Vai ter dias bons e ruins. Vai ter vitórias e derrotas. Tem sentimentos. Sente muito assim como eu e qualquer outra. E que se até em contos de fadas as pessoas são falhas, na realidade a proporção é ainda maior.

Aceita que dói menos.

Continue Reading

Você merece mais do que alguém que te procura só quando lhe convém

Você merece mais do que alguém que te procura só quando lhe convém. Mais do que alguém performático buscando matar uma vontade e fingindo se importar. Merece além do que uma pessoa que só te quer entre quatro paredes. Uma pessoa que acha que está tudo bem em agir desse modo babaca e ficar por isso mesmo – pois bem, não está e você não tem que ficar calada diante disso.

Você merece mais do que uma pessoa que não tem interesse em saber como foi o seu dia ou como você está. Mais do que alguém que não está ligando para as suas conquistas ou derrotas. Merece além do que uma pessoa que só estará por perto quando tudo estiver a mil maravilhas, mas foge na primeira gotinha de tempestade que esteja por vir. Uma pessoa que acha que falar que está com saudades ou pedir desculpas significa algo quando não é nada sincero.

Sim, você merece mais. Bem mais. Você merece alguém que te procure até de madrugada ou no comecinho da manhã, nem que seja para desejar um ótimo dia ou um boa noite. Alguém que se importa de verdade e não tem vergonha ou o menor receio de estar ao seu lado, seja onde for – pelo contrário, se sentirá orgulhoso por ser essa pessoa. Uma pessoa que te trata bem e, principalmente, que te faça bem só por estar por ali.

Você merece alguém que te ligue só para escutar a tua voz. Alguém que fica feliz com as tuas realizações; sobretudo, oferece o ombro diante dos insucessos. Alguém que diante dos momentos ruins ao invés de correr, finca o pé e espera passar contigo. Alguém que não dispensará as inúmeras mensagens de que está com saudades, pois a qualquer momento fará de tudo para te encontrar. Alguém que entenderá que um pedido de desculpas sem significado é tão ruim quanto o motivo do pedido, e que valem bem mais atitudes que reparem do que palavras jogadas ao vento.

Alguém que te veja e te enxergue como uma pessoa imperfeita, como qualquer outra, mas digna de respeito, consideração, entre outras vertentes sobre as quais as relações são baseadas. Alguém que não fica apontando cada defeito teu que encontrar como se nela não existisse um sequer. Alguém que seja parceiro. Alguém que seja cúmplice. Alguém que te transforme em plural, mas sem perder a tua individualidade.

Alguém que te tire do sério, fazendo-te sorrir. Alguém que te enlouqueça, se for de amor. Alguém que te impulsione. Alguém que te apoie. Alguém que te entenda. Alguém que te suporte. Alguém que faça mais do que existir, faça diferença. Alguém que a qualquer momento você vai encontrar e, quando isso acontecer, entenderá porque foram tantos qualquer até esbarrar num que valha a pena arriscar.

Enquanto isso não acontece, continuarei seguindo a minha vida. Correndo atrás dos meus sonhos e objetivos, porque por mais que seja uma delícia a ideia de ter esse alguém, a vida não para e espera. O mundo continua girando. E o tempo? Passa… Tão rápido quanto um piscar de olhos!

Continue Reading

Amor Positivo

Eu a conheci por um acaso numa saída qualquer, com pessoas aleatórias no meio da semana. Aquele sorriso torto com covinhas, olhos apertados e batom vermelho mudaram a minha vida. No meio de uma cerveja ou outra, nós começamos a conversar. A festa? As pessoas? Tudo pareceu tão banal. É impressionante a capacidade de algumas pessoas marcarem a tua vida dum jeito a ponto de tornar a passagem do tempo algo irrelevante. Ela era essa pessoa. A cada dia que passava eu queria mais e mais a companhia dela. As conversas. As histórias. Os sorrisos, beijos, abraços e sexo. Tudo era tão gostoso. Sentia-me um dependente daquilo. Atraído cada vez mais pela liberdade dela de ser. De curtir a vida e querer aproveitar coisas que passam tão despercebidas para a maioria das pessoas, como a chuva que ao cair em nós parece limpar a alma e as energias ruins. Ou, talvez, os breves minutos durante o pôr e nascer do sol.

Era do tipo de pessoa que no meio de um dos nossos encontros: parou de falar, virou-se para a lua e passou um tempo ali quieta observando. Observá-la, fez-me querer fazer o mesmo afim de entender o que se passava dentro daquela cabecinha. Ignorando o fato de que havia sido ignorado. Depois, ainda em silêncio, começou a procurar algo em sua bolsa. Virou para mim e pediu que eu observasse tudo que estivesse ali até ela falar novamente. Acatei o que ela disse. Estávamos num parque, sentados na escada de um edifício. Haviam pessoas, animais, pontos de vendas de comida, árvores. Fiquei perguntando-me o que diabos estava acontecendo. E qual era o objetivo disso tudo. Para mim aquilo era tão normal. Observar o quê? Era uma pegadinha?

Ela pegou dois fones de ouvido, um adaptador e conectou tudo ao celular. Colocou uma das suas músicas preferidas: Dog days are over – Florence + The Machine, entregou-me um dos fones e falou “põe, não fala nada e continua observando”. Não conhecia a música. Mas nos primeiros segundos ali sentado, ouvindo e observando tudo ao redor fez todo o sentido. A música realmente tem um poder imenso sobre nós. Sobre como percebemos o mundo. É incrível. Ainda mais vindo dela. Caramba, que mulher! Ela disse que era uma das coisas que mais gostava de fazer quando estava sozinha em algum lugar; o fato de ter compartilhado isso comigo só me fez querer ficar com ela cada vez mais. Conhecer. Saber o que mais de tão interessante ela guardava pra si. Senti-me honrado. Orgulhoso. Feliz. E apaixonado. Muito apaixonado.

Estávamos juntos há algumas semanas, entretanto, nunca tive tanta certeza sobre alguém na vida como tive nesse exato momento. Meses foram se passando. As pessoas que conviviam conosco questionavam a nossa relação. Menosprezavam. Davam palpite. Nunca havíamos dito “somos namorados”. Sempre falávamos “estamos juntos”. Era clara a pressão para que houvesse um status envolvido. Sei lá, ela nunca falou a respeito e nem eu senti necessidade disso no tempo. Estávamos tão bem entre nós dois. O bastante para ignorar isso tudo. Apesar de parecer que éramos um grude. Não. Cada um tinha suas ocupações e compromissos. Ela era livre. Eu era livre. Éramos livres o suficiente para amar um ao outro sem precisar cobrar seja o que for.

Anos foram se passando. Morávamos juntos. A pressão aumentava. Socializar com certas pessoas tornou-se algo exaustivo diante de certas intromissões. Paquerar – Namorar – Noivar – Casar – Filhos – Netos – – – Morrer. Essa era a tal ordem que nos exigiam tanto. Rótulos. Malditos rótulos. Continuamos vivendo a nossa vida. Ignorando. Sim, tivemos filhos. Dois maravilhosos filhos. Um atrás do outro. Era uma delícia toda aquela agitação dentro de casa. Até que ela não aguentou mais toda essa situação e quis falar a respeito. Talvez todas essas perguntas “de tia em reunião familiar” tenham coagido ela a ponto de fazer algo sobre. Então, numa noite qualquer, ao chegarmos dos trabalhos. Ela indagou que precisávamos ter uma conversa séria sobre nós, sem interrupções de ninguém. Mesmo tendo passado todos esses anos, senti um calafrio em todo o corpo. Nunca tínhamos precisado dizer isso para o outro. Algo realmente estava acontecendo.

O que será que eu fiz? Será que esse é o fim que todos falaram tanto que iria acontecer cedo ou tarde por causa do nosso modo de lidar com o nosso relacionamento? Ela se cansou de mim? Só pode ser isso! Ai, meu Deus. Parei. Respirei. Em momentos de tensão, eu sempre fui muito pessimista. Ao tentar controlar isso ao máximo ela começou a falar: Então, eu sei que temos construído uma vida a dois ótima. E que nunca chegamos a conversar ou sentir vontade de “definir” o que temos, o que somos. Você já está farto disso. Saiba, eu também estou. É por essa razão que… (Maldita pausa dramática, quase infartei) eu acho que… (Sério isso? SÉRIO? Fala logo!) você quer namorar comigo? – Então abriu um sorriso enorme ao ter conseguido me enganar direitinho. Voltei à sanidade. Rimos tanto. Ela é a mulher da minha vida. Ela é livre. Eu sou livre. E o cara mais grato de todos por ter puxado assunto naquela noite qualquer.

Ao chegar no quarto, havia a melhor notícia que eu poderia receber – ainda mais depois desse susto. Nosso terceiro filho estava a caminho.

Talvez você tenha pensado que seria o fim. Não condeno. Até eu por um instante louco pensei o mesmo. E isso é o que chamo de “poder dos rótulos” em nossas vidas. Mas fica o conselho do homem mais feliz, amado e realizado do mundo: por favor, não permita que esse “poder” seja maior do que o que você sente. Rótulo é um mero detalhe que recai aos submissos dos padrões e que desconhecem o real poder, do amor.

O amor é maior que tudo.

assinaturaaaa

Continue Reading

Amórfica

mal abriu os olhos
era hora de fechar
vida mal começa
tem que acabar

dor comanda
serotonina inibida
nada funciona
amórfica

corpo esvai
parte do ciclo
enquanto lembrai
não é esquecido

alma ramifica
falta em cada canto
a cadeira está vazia
peito cheio de sinto

tanto
e tudo

assinaturaaaa

Continue Reading

Solteiro? Namorando? Livre!

Vi uma página compartilhando um post sobre uma lista de motivos pelos quais ser solteiro (a) é melhor do que namorar e diante do que li resolvi comentar o que eu acho sobre alguns deles – ressaltando que eu não concordo que um seja melhor que o outro, isso tudo é bastante relativo quanto a como você está se sentindo naquele momento da sua vida.

  • NÃO TER DR’S, NÃO TER QUE DAR SATISFAÇÃO E NÃO SE INCOMODAR COM NADA ALÉM DOS PRÓPRIOS PROBLEMAS

Uma das coisas que mais escuto sobre quem tá solteiro é isso: não discutir a relação. Eu não sei bem qual conceito disso que as pessoas têm, mas pra mim é uma das melhores em se relacionar. Até no sentido ruim da coisa, sim. E você não precisa estar num relacionamento sério para sentir necessidade de falar a respeito do que se tem com uma outra pessoa – seja lá o que for. Se há uma relação, conversar sobre deve fazer parte da vida de vocês. Não precisa ser necessariamente por algo ruim ter acontecido ou incomodar. Se ninguém disser o que tá sentindo por dentro ou com isso, como irão saber que estão “na mesma página”? Não tem como. É inevitável. Então vamos parar de problematizar algo que serve para otimizar as relações que temos com as pessoas que estão em nossas vidas.

Hoje em dia os relacionamentos estão cada vez mais doentes. Uns querendo controlar até a respiração dos outros. Não há confiança. Não há respeito. E aí ao falar de relacionamento sério, isso de você ser “obrigado a dar satisfação” para a outra pessoa vem como se fizesse parte do pacote sem escapatória. Só se incomodar com os próprios problemas? É tão ridículo e sem noção que nem sei se valem todos estes caracteres, mas vamos lá! Quando você se envolve e escolhe estar ao lado de uma pessoa, é claro que consiste em compartilhar a sua vida, os seus pensamentos/medos/sonhos/expectativas etc, mas sem perder a individualidade de cada. Problemas dos outros, nós tomamos conhecimento o tempo inteiro. Para se livrar disso? Vá para uma ilha deserta. Relacionamento saudável não afeta a tua privacidade e nem quer te controlar. Isso é mal de gente inseguro que cobra do outro o que falta em si.

Em contrapartida, requer uma dedicação para com aquilo que está sendo construído ao passar do tempo. Das vezes que me relacionei sério com alguém, jamais permiti que eu me sentisse obrigada a algo. Isso passaria longe de ser bom para mim e, consequentemente, para a vida a dois. As coisas devem fluir naturalmente, sem tanta cobrança e controle como costumam atrelar à ideia de assumir um compromisso.

  • PODEMOS TRANSAR COM QUANTAS PESSOAS QUEREMOS SEM PESO NA CONSCIÊNCIA EM ESTAR TRAINDO

Sério que isso é um argumento? Óbvio que você solteiro pode sair transando até com uma parede se quiser. Novamente: namoro é uma escolha – estar solteiro também. Dentre todas as pessoas, você escolher se envolver e se dedicar somente àquela. E se você optou por isso, por que diabos vai jogar tudo pro alto e trair na primeira oportunidade? Isso que eu não entendo ou aceito. Quer ficar com outro alguém? Fica, mas antes seja honesto com a pessoa que está com você. Termine numa boa e depois pode fazer o que quiser. A partir do momento que você namora e está olhando para o lado o tempo inteiro, é o maior sinal de falta de compromisso que se pode ter. Ama a pessoa? Quer o bem dela? Melhor ato de demonstrar isso vai ser não atrapalhar ela em ser feliz com quem estará olhando para frente sem soltar as suas mãos pela primeira oportunidade que houver.

  • LIBERDADE!

Certamente quem escreveu esse post teve várias experiências ruins para chegar a esta conclusão argumentativa. Devo dizer, já cheguei a pensar assim. Que um relacionamento te prendia e estar solteiro era sinônimo de liberdade. Até eu refletir e aprender que a tua liberdade só estará em falta se você permitir. Não perco a minha liberdade no sentido de abrir mão de tudo, às vezes, até de mim mesma por alguém. Liberdade pra mim é eu saber que a minha vida continua sendo minha. E que eu estou compartilhando, mas não oferecendo a alguém o poder de fazer dela o que bem entender. Isso não é estar preso, é não ter amor próprio. Ser livre é não ter medo de viver.

“Eu sou livre. Tu és livre. Viva a livraria”

Liberdade é não ter amarras que te impeçam de voar para onde quiser.
Estar solteiro é saber que não é preciso nada além das próprias asas para tal.
Namorar é voar ao lado de uma pessoa que te impulsione para ir cada vez mais alto.

Continue Reading

[texto] Rafael Magalhães

Certa vez conheci uma mulher na balada. Vestido curto, tatuagem no ombro, batom vermelho e o copo de bebida na mão. Sabe aquele olhar de mulher safada? Aquela que você olha e já sabe bem o que ela veio fazer ali. Essa tinha exatamente esse olhar, o que para mim era perfeito, já que eu havia saído de casa naquela noite com o mesmo objetivo. Formulei algo engraçado para dizer na primeira abordagem. Ela sorriu. Conversamos por alguns minutos até que veio o convite para dançar. Mal sabia ela que eu era simplesmente irresistível nesse quesito. Depois de um ou dois copos aconteceu então o primeiro beijo. E que beijo! Tem gente que beija com a intensidade de quem faz compras de verduras no supermercado. Já outros são como um adolescente escolhendo o seu primeiro carro. Definitivamente ela era desse segundo grupo. Acreditem em mim, o beijo foi surreal. Daqueles com direito a mordida no lábio, puxão de cabelo, mão por dentro da camisa e lambida na orelha. De duas uma: ou eu era naquela noite o homem mais gostoso do universo ou aquela mulher tinha bebido o triplo do que eu bebi na minha vida inteira. Foi impossível parar de beijá-la durante toda a noite. Quando fui deixá-la em casa e me perguntou se gostaria de entrar eu não pensei duas vezes. Sim, foi sexo no primeiro encontro. A melhor noite de sexo da minha vida. Foi aí que descobri que o forte dela não era o beijo. Haviam habilidades ainda maiores. O sol chegou e nós ainda não tínhamos dormido. A vida correndo lá fora e eu ali ofegante, com aquela estranha deitada em meus braços. Antes de me despedir trocamos números de celular por mera formalidade. Todo mundo sabe que casais que vão para cama no primeiro encontro não tem como darem certo. Sabe, talvez se tivéssemos ido mais devagar as coisas poderiam ter sido diferentes. Quem sabe? Muitos anos já se passaram e aquela noite ainda não saiu da minha cabeça. Curioso como algumas pessoas passam pela nossa vida e nem se dão conta de que deixaram marcas profundas. Eu nunca mais vi a minha professora do primário, nem a minha namoradinha do curso de inglês, mas, a mulher que conheci naquela noite, nunca mais saiu da minha mente. Agora mesmo ela está ali na cozinha, preparando a lancheira que o nosso filho caçula leva para a escola. Depois vai vir aqui no escritório me dar um beijo igual àquele que ganhei na boate tempos atrás. De noite repetiremos mais uma vez nosso sexo selvagem. Não é de se espantar? A moça do vestido curto se tornou a mulher da minha vida. Eu não sei bem como vai acontecer com você. Se vai conhecer seu grande amor na fila do pão, na sua festa de formatura ou no acampamento da igreja. Eu não sei se vão se beijar no primeiro encontro ou se farão sexo só depois do casamento. O que eu sei é que não existe regra para tudo isso dar certo. Vejam vocês a minha história. A mãe dos meus filhos gosta de beber, tem tatuagem e é uma depravada na cama. Ao mesmo é uma mãe incrível e um esposa fiel, carinhosa e companheira. Nossa sociedade é mesmo repleta de normas e rótulos, felizmente a maioria deles não funciona o tempo todo.


Rafael Magalhães

Continue Reading

Só ria

Quando eu era criança, fiz uma redação inúmeras vezes mesmo a minha mãe dizendo que estava boa. Fiz e refiz até quando eu li e disse a mim mesma: Agora sim! No outro dia, ao ler, fui acusada de ter pedido para um adulto fazê-la. Senti-me profundamente ofendida e envergonhada, mesmo sabendo que aquilo não era verdade, mas pela situação. Porque sempre fui ensinada a assumir os meus atos, sejam eles bons ou ruins. Era a primeira a chegar em casa e contar. Anos depois, voltei a usar o papel e foi a melhor coisa que fiz por mim na vida. Cada pessoa tem algumas coisas que simbolizam o que chamamos de válvulas de escape – uma forma de sair duma situação turbulenta ou ruim. Pode ser o ombro amigo, clima familiar, a birita ou um  cafuné, até. Sempre fui do tipo que me isolava, pegava meu lápis e uma folha. Há pouco, muitas coisas têm acontecido na minha cidade, na minha família e, consequentemente, na minha vida. Hoje parei, sentei, coloquei uma MPB de leve e resolvi pôr no papel um pouco a respeito. Pessoas. Pessoas pedindo um socorro – aparentemente silencioso, até não aguentarem mais. Pessoas deixando uma mistura de impotência e revolta em seus entes e amados – até desconhecidos – por não estarem entre nós devido à imprudência e irresponsabilidade alheia. Pessoas indo da mesma maneira que quem eu amo já foi. Pessoas indo aos poucos e sem motivo nenhum aparente. Nós não costumamos interpretar assim, o ponto é: estamos vivos. Devemos aproveitar este fato da melhor maneira possível. Nem sempre o tempo é nosso amigo. Sempre quando me perguntam qual é o meu medo, agora mais do que nunca eu respondo: perda. Não só para a morte. Para a vida também. Sabe? Quando alguém está ali, mas por dentro está indo aos poucos e quando a gente menos perceber, já foi. Medo de perder gente que é importante pra gente. Medo de perder um último abraço. Medo de perder um último “eu te amo”. Medo de perder um amor. Medo de perder um sorriso. Medo de perder tudo. Medo de se perder. Pois, acreditem, não há nada mais terrível do que você querer tanto uma coisa e não poder mais ter. E fica um vazio. O vazio também preenche. Ficamos cheios de nos sentirmos vazios. Os dias ficam cinzas. As semanas passam, sem graça. Mas cá ficamos persistindo e falando para si: basta rir que passa.

Continue Reading