sfogarsi

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A expressão já fala por si – mas é válido corroborar: não há coisa que mais traga alívio ao peito do que o desabafo de uma dor. Colocar os sentimentos pra fora é dar lugar a novos e recomeçar. E o erro cometido pelas pessoas é ao invés de limpar a alma fazendo isso, elas guardam tudo para si e isso as tornam cada vez mais difíceis em conseguir construir boas relações. Como podem? Frustadas consigo mesmas e com tudo aquilo que estiver ao redor… Cada um com sua bagagem emocional pesada e nem todos estão sujeitos a aceitar, além da sua, a dos outros. E estão certos. Por que haveriam de carregar algo que não é seu? Cavalheirismo não se encaixa nessa questão, alto-lá! Você é responsável pela sua bagagem e colocar essa responsabilidade noutra pessoa é também dar a ela o poder de fazer o que bem entender. Então, desculpe-se se sua bagagem for perdida num canto qualquer, a culpa foi toda sua. Por favor, esquecê-la e fazer aquisição de uma nova.

 Mas cuidado. Mais cuidado.
 Cuida dor. Cuida do teu coração.

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Sentir: Qual é o sentido?

lonely-bed

Está sentindo tudo que sinto sem sentido? Sem direção. Sem rumo. Sentimentos são assim mesmo. Mas sinta. O importante é sentir. E ouvir, você está ouvindo? Calma. Calma. Desliga os sons. Desliga tudo. Só não desliga o peito. Faça silêncio e ouça. O barulhinho de prazer nesta noite fria. Fria lá fora. Cheios de desejos, almas tão vazias. Dentro é quente. Quente de afeto. Quente de amor. Quente de sentir o que não faz sentido. Você sente? Você ouve? Pare. Preste bem atenção no que não é dito por aqui. Nem precisa. Copos e corpos. Falarão por si. Ouve. Pra quê palavras, amor? Pra que sentido no sentir? Não faz sentido algum.

                             Deixa estar. Deixa ficar. Deixa sentir.

Música: Love me tender – Pato Fu (Elvis Presley)

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Vendedor ambulante

favela
Vendo o prematuro
Vendo o aborto
Vendo o imaturo
Vendo o morto 

Vendo o amor
Vendo a saudade

Vendo o pudor
Vendo a maldade

Vendo a crença
Vendo a guerra
Vendo a doença
Vendo a Terra

Vendo a ração
Vendo o rico
Vendo o pão
Vendo o circo

Vendo à beça
Vendo o prazer
Vendo a cabeça
Vendo o entorpecer

Vendo o desencanto
Vendo o sobretudo
Vendo o espanto
Vendo um futuro

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Mesa de bar

cerveja

 

Deixei naquela mesa de bar todos os meus medos e anseios. A dor de tudo o que foi perdido. O desejo de ter dito um último “eu te amo” a um amigo, ente querido ou amor esquecido. Vergonha das vezes me vesti de algo além de mim mesma afim de agradar alguém ou daquilo que não fiz nem foi dito; uma maior ainda da busca pelos meios obscuros a fim de escapar desta maldita realidade. Sonhos deixados para trás e largados numa gaveta, assim como os mais singelos desejos. Paixões que definharam por alguma razão ou coisa outra qualquer. Amizades que a distância pegou firme e jogou fora. Certeza de que se o tempo fosse médico eu seria a sua pior paciente em curar as mágoas do passado – hoje, pesadelos que me acompanham.
Saudade? Ah!, essa é a minha fiel companheira de birita.

Deixei tanto…

Deixei-me, naquela mesa de bar.

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Quem sou?

Transbordo um bocado de tudo, mas manias é onde a coisa toda vai definindo quem sou. Menina Manias, poderia ser. Tenho lá minhas carências e birras. Ciumenta à medida do que sinto. E, por falar nisso, parafraseando Los Hermanos, quem é mais sentimental que eu? Não me imponho a ninguém. Nem mendigo afeto, é a pior esmola que existe. Ser chamativa não me apetece, foge do meu Eu. Considero-me alguém de poucos amigos,mas tenho os que escolhi para compartilhar meus mais profundos segredos, conquistas, sonhos e derrotas. Simpática ou não com quem eu acho que devo ser por merecimento. Sou chata. Chateio quase todo mundo. Dou trabalho, às vezes. Ou sempre. Desastrada dos fios do cabelo ao dedinho do pé. Confusa. Gosto das coisas do meu jeito ou que saiam conforme os planos. Ser surpreendida me fascina. Compreendem o paradoxo? Busco em silêncio entender e analisar o que acontece ao meu redor. Fria e distante, no fundo do fundo. Pessoa que some, pira, odeia, ama e tem lá o seu bocado de manias.

Quem sou?

 

 

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