Sobre mergulhos

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Tenho a leve impressão que o problema nos relacionamentos que tento fazer dar certo empurrando com a barriga sou eu.

Por que? Isso é o resultado de se tentar mergulhar por inteiro em pessoas rasas. Desperdício de batom vermelho. Portanto, evite traumatismos sentimentais.

Mergulhe no que é denso ou translúcido quando tem que ser. Mergulhe no que é profundo. Mergulhe no que é intenso. Mergulhe no que é amor.

Recipientes rasos?

Não caibo. Transbordo.

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Ato final

palhaço assustador

A pior parte de perder alguém que amamos é o fato dela levar consigo uma parte de você. Haverão momentos nos quais a dor da despedida tomará de conta por algum tempo. Podem ser horas, dias, semanas, meses, anos e até mesmo para sempre. Imprevisível e indeterminado. Nesse tempo, somos irresponsáveis por nossas ações.

Como poderia ser quando a emoção fala mais alto que a razão e coisa outra qualquer? De repente, você se encontra ali, perdido, sem saber o que fazer em seguida. Para os outros aparentará sempre melhor do que como realmente está. As pessoas dizem coisas do tipo “vai ficar tudo bem com o tempo” e perguntam como você está inúmeras vezes.

Mas aqui está a verdade, no fundo nem se importam com sua resposta e preferem a mentira descarada de que tu estejas bem a ter de escutar seus pesadelos e lidar com os mesmos. Eu entendo isso. Quem gostaria de problemas alheios quando já tem os seus, não é mesmo? Ninguém verdadeiramente os quer ao menos que seja pago por isso. Grande sociedade! Rica em preços. Miserável em valores.

Tenho dito: Os vermes da putrefação são tão leais quanto às lágrimas aos pés do seu leito de morte e todo o sentimento ante e póstumo. É válido ressaltar sobre os dois mais profundos e sobressaídos, amor e arrependimento. Juntos? Dilaceram a alma e mente, pouco a pouco, como o veneno colocado para junto da comida de mais uma vítima de Paulo Ruan, chamada Lídia.

Com uma infância cheias de abusos oriundos de uma mãe, Patrícia, submissa e pai, Ricardo, covardemente agressivo. Paulo Ruan canalizou todo o seu ódio às mulheres que viria a matar. Um garoto doce e inocente tornou-se homem impiedoso, frio e calculista. Fazia com que a pessoa acreditasse em todo o seu teatro sobre o quanto a amava. Cada detalhe acerca da rotina e costumes era analisado por esta mente destruída. Ações e reações.

Começava a envenenar aos poucos, mas não com o intuito de matar logo e sim a fim de causar danos lentamente ao corpo e psicológico da vítima. Chegava a tal ponto do prestatito oferecer-se a ajudar, ganhando confiança e ternura da pessoa enquantoa deixava impotente e submissa quanto a, respectivamente, ele e Patrícia – primeira de vinte e cinco mortas. Único homem foi seu genitor.

Graças a herança de seu primeiro homicídio – seus pais, vivia sempre mudando de cidade, nome, aparência e personalidade. Lídia tinha lá seus 48 anos, médica, morava sozinha, sem animais de estimação e um filho que estudava noutro país. Desde o seu divórcio, não havia dado a si  chance de encontrar alguém novo. Para seu azar, resolveu dá-la a pessoa errada.

Após meses saindo juntos, Paulo Ruan já estava com todos os preparativos prontos e a cada hora mais ansioso com o esperado dia aproximando-se. No fundo, ele sabia que tudo sairia com o planejado até ali. Entretanto, como as demais vezes só iria relaxar a partir do momento em que ela desse seu último suspiro de vida. Era um prazer assistir a morte de uma vítima. Sentia-se orgulhoso.

Cegamente ele não percebeu diante dos olhos sua semelhante. Pelas ironias existentes, dois seres tão compatíveis encontraram-se numa noite nada casual. Dois atores doentes num teatro macabro. Já dizia Vinícius de Moraes, a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.

Esperado sábado à noite. 

A atuação para um ali se encerrou junto a sua existência.

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Tum. Tum.

tum tum

SAUDADE é querer voltar no tempo ao abraço.

Encontro de dois corações batendo juntos. Tum tum tum tum. Ao dizer isso, ao você ler isso – eternizou. Os momentos do poeta ficarão pra sempre. O encontro dos corações batendo juntos ficará pra sempre. Graças a você que leu. Tum tum tum tum. Porque assim como fotos, as palavras tornam eterno tudo aquilo que for – ou não, pra ser. Você tem agora na sua mente um abraço, um encontro… E isso não há como ser apagado.

Tum. Tum. Tum. Tum.

 

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Hóspede por estação

hóspede por estação

Nessa cidade tem ruas de todo tipo
Do modelo clássico ao esquisito
Muros altos, largos e resistentes
Outros parecem ceder ao soprar entre os dentes

Não ouso passar em algumas casas
Amo liberdade e valorizo minhas asas
Naquelas moram o orgulho, a falsidade…
E quem só ama a própria identidade

Quero casas onde o bem faça morada
Expulse a maldade para a estrada
Que ela vá para bem longe
Aqui o Amor reina e a Paz é o conde

Relacionamento, chama-se a cidade
Trago na mala bons sentimentos e idade
Há por aí alguém que a carregue,
Guie e aceite-me como hóspede?

Relaxe que eu fico por estação
E um cafuné, vou-me no verão
Ao sair deixo-te belas cartas
Amo liberdade, valorizo minhas asas

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Teia de aranha

teia de aranha

 Pergunto-me o porquê deste sentimento ser um belo causador de confusões e, ao mesmo tempo, a solução essencial: amor. Sentimentos são complexos por si e nós ainda tempos a mania de complicar ainda mais quando o assunto é aprender a lidar ou aceitá-lo. Tenho para mim que aquele é o pai de todos os demais.
Sem ele, não haveria a raiva, a tristeza nem muito menos a felicidade que te renova, por exemplo. É como se estivessem todos interligados formando uma teia de aranha, cuja última seríamos nós mesmos juntamente àqueles que nos cercam.
Tecendo aos poucos e minuciosamente, pois uma linha fora do lugar pode resultar em tudo errado, tendo lá seus danos. Os distraídos são desastrados, mas parecem possuírem uma sorte peculiar, porque mesmo sem querer lá estão eles construindo teias belas e delicadas, próximo à perfeição.
Talvez este seja o segredo, enfim: não fique sentado esperando nem vá atrás desesperadamente. Sabe o equilíbrio? Tem que haver, meu bem. Quando perceber estará tecendo a sua teia de bons sentimentos e de – principalmente, amor.

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sfogarsi

sfogarsi

A expressão já fala por si – mas é válido corroborar: não há coisa que mais traga alívio ao peito do que o desabafo de uma dor. Colocar os sentimentos pra fora é dar lugar a novos e recomeçar. E o erro cometido pelas pessoas é ao invés de limpar a alma fazendo isso, elas guardam tudo para si e isso as tornam cada vez mais difíceis em conseguir construir boas relações. Como podem? Frustadas consigo mesmas e com tudo aquilo que estiver ao redor… Cada um com sua bagagem emocional pesada e nem todos estão sujeitos a aceitar, além da sua, a dos outros. E estão certos. Por que haveriam de carregar algo que não é seu? Cavalheirismo não se encaixa nessa questão, alto-lá! Você é responsável pela sua bagagem e colocar essa responsabilidade noutra pessoa é também dar a ela o poder de fazer o que bem entender. Então, desculpe-se se sua bagagem for perdida num canto qualquer, a culpa foi toda sua. Por favor, esquecê-la e fazer aquisição de uma nova.

 Mas cuidado. Mais cuidado.
 Cuida dor. Cuida do teu coração.

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