Ela

nunca foi louca, apenas não deixa o coração
preso numa gaiola, mas assim como nasceu:
livre; em algum momento você precisará
de alguém como ela, são as feridas em seu
coração que despertam as chamas no nosso.
por ser quem sempre esteve disposta a
queimar-se por tudo que algum dia
realmente já amou.

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Importância

Chega um momento das nossas vidas em que o café esfria, o cigarro apaga, a música perde a graça e o mundo parece que desaba. Não sei se já aconteceu com você nem se acontecerá eventualmente… Espero que não. Como lidar quando os dias ficam cinzas? A vontade de fazer algo realmente produtivo aparenta tamanha fragilidade que quanto mais você tenta apanhá-la, desaparece. O tempo não espera, continua passando. Tudo vira um filme em câmera lenta. Você sabe que está ali, só não se sente assim. De protagonista passa a ser um mero expectador. Cheio de expectativas. Vazio de ações. O simples transformando-se em algo extraordinariamente difícil. Respiração em suspiros. De repente, a cama e teu travesseiro viram os teus melhores amigos – abraçando qualquer oportunidade para ficar perto outra vez; ao máximo. A hora de dormir nunca foi tão arduamente desejada quanto nesse tal momento. Quanta coragem que é essa para se viver! E, sentir-se vivo. É preciso muita diante de tudo. A cada tropeço, um recomeço. A cada lágrima, um sorriso. No final, é o que importa. Não é o que tu tens. Não é o que tu fez. Não é teu passado. Não é teu presente. Nem o teu futuro que ainda nem existe.

O que realmente importa é responder: você é feliz?

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Sobre um amor livre

Eu a conheci por um acaso numa saída qualquer, com pessoas aleatórias no meio da semana. Aquele sorriso torto com covinhas, olhos apertados e batom vermelho mudaram a minha vida. No meio de uma cerveja ou outra, nós começamos a conversar. A festa? As pessoas? Tudo pareceu tão banal. É impressionante a capacidade de algumas pessoas marcarem a tua vida dum jeito a ponto de tornar a passagem do tempo algo irrelevante. Ela era essa pessoa. A cada dia que passava eu queria mais e mais a companhia dela. As conversas. As histórias. Os sorrisos, beijos, abraços e sexo. Tudo era tão gostoso. Sentia-me um dependente daquilo. Atraído cada vez mais pela liberdade dela de simplesmente ser. De curtir a vida e querer aproveitar coisas que passam tão despercebidas para a maioria das pessoas, como a chuva que ao cair em nós parece limpar a alma e as energias ruins. Ou, talvez, os breves minutos durante o pôr e nascer do sol. Era do tipo de pessoa que no meio de um dos nossos encontros: parou de falar, virou-se para a lua e passou um tempo ali quieta observando. Observá-la, fez-me querer fazer o mesmo afim de entender o que se passava dentro daquela cabecinha. Ignorando o fato de que havia sido ignorado. Depois, ainda em silêncio, começou a procurar algo em sua bolsa. Virou para mim e pediu que eu observasse tudo que estivesse ali até ela falar novamente. Acatei o que ela disse. Estávamos num parque, sentados na escada de um edifício. Haviam pessoas, animais, pontos de vendas de comida, árvores. Fiquei perguntando-me o que diabos estava acontecendo. E qual era o objetivo disso tudo. Para mim aquilo era tão normal. Observar o quê? Era uma pegadinha? Ela pegou dois fones de ouvido, um adaptador e conectou tudo ao celular. Colocou uma das suas músicas preferidas: Dog days are over – Florence + The Machine, entregou-me um dos fones e falou “põe, não fala nada e continua observando”. Não conhecia a música. Mas nos primeiros segundos ali sentado, ouvindo e observando tudo ao redor fez todo o sentido. A música realmente tem um poder imenso sobre nós. Sobre como percebemos o mundo. É incrível. Ainda mais vindo dela. Caramba, que mulher! Ela disse que era uma das coisas que mais gostava de fazer quando estava sozinha em algum lugar; o fato de ter compartilhado isso comigo só me fez querer ficar com ela cada vez mais. Conhecer. Saber o que mais de tão interessante ela guardava pra si. Senti-me honrado. Orgulhoso. Feliz. E apaixonado. Muito apaixonado. Estávamos juntos há algumas semanas, entretanto, nunca tive tanta certeza sobre alguém na vida como tive nesse exato momento. Meses foram se passando. As pessoas que conviviam conosco questionavam a nossa relação. Menosprezavam. Davam palpite. Nunca havíamos dito “somos namorados”. Sempre falávamos “estamos juntos”. Era clara a pressão para que houvesse um status envolvido. Sei lá, ela nunca falou a respeito e nem eu senti necessidade disso no tempo. Estávamos tão bem entre nós dois. O bastante para ignorar isso tudo. Apesar de parecer que éramos um grude. Não. Cada um tinha suas ocupações e compromissos. Ela era livre. Eu era livre. Éramos o suficiente para escolhermos amar um ao outro pelo tempo que fosse possível,  seja um dia depois ou pelo resto da vida.

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Amórfica

mal abriu os olhos
era hora de fechar
vida mal começa
tem que acabar

dor comanda
serotonina inibida
nada funciona
amórfica

corpo esvai
parte do ciclo
enquanto lembrai
não é esquecido

alma ramifica
falta em cada canto
a cadeira está vazia
peito cheio de sinto

tanto
e tudo

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A luta

Nunca soube ao certo informações a cerca da expressão “luto” até passar por isso – e inclusive saber, que há vários tipos, não só de ao perder alguém -, mas sempre acreditei que faz total sentido. De fato, é uma luta. Nós lutamos. Com o mundo, com o que acreditamos, com a saudade, com a realidade, com todos e, principalmente, com nós mesmos. E é difícil.

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você não me julga
você realmente não julga
nenhuma outra qualquer pessoa
mas o que acha que ela seja
e nesse achismo não chegará
a nenhuma conclusão sensata
eis uma verdade que mando de cá
diz mais sobre você tudo que fala
do que sobre mim que escuta
e cala

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