Ana, que se ame!

 

Ana cansada de ser solidão
Anda buscando qualquer coração
Em cada afeto por cá oferecido
Esquecendo das vezes por isso
Nada além do seu foi partido
Ô, Ana, quantos fragmentos
Opções sem sentimentos
Desnecessário sofrimento
Levante e pare o lamento
Acalma esse seu peito
Lembre-se do que digo
A resposta está consigo
Amor próprio não é castigo

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A Flor

Bom, acho que a última coisa que importa aqui e agora é o meu nome. Mas de antemão, devo confessar que sou uma das pessoas mais confusas do mundo. Com certeza, se existisse um top 10 sobre isso, o meu nome estaria lá no topo. Sempre foi assim. Quando se trata sobre decidir o que é melhor pra mim, meu cérebro para de raciocinar, e olha, faço isso costumeiramente para outras pessoas. Tenho 17 anos, muito bem vividos por sinal, posso dizer que já passei por tudo ou por quase tudo que uma garota da minha idade poderia ter passado. Já me apaixonei por um melhor amigo, que no fim não se mostrou ser o que eu idealizei que ele fosse – e tá aí o meu maior defeito, idealizar as pessoas. Um dia eu paro. Mais uma promessa pra ser cumprida daqui pro final da vida. Também já fiz alguém se apaixonar por mim, sem ter a intenção de amá-lo, e juro, juradinho, que me arrependo muito por isso e sempre que isso vem à tona, fico mal. Nunca fui daquelas que fazem questão de ter a vida exposta, nunca fiz a “olha, eu estou sofrendo, por favor, sinta pena de mim” desde bem pequena, gostava mesmo resolver minhas coisas por mim, – na maioria das vezes, só bagunçava mais – aprendi muito com isso. Eu e o meu caos, sempre tão unidos, sempre nos complementando. E quanto a isso, acredito que tenho alguma doença grave. Hoje, prefiro o meu caos do que uma bela calmaria. O caos sempre me rendeu mais, sempre me trouxe mais. Faz mais ou menos seis meses, prefiro não lembrar o dia exato e nem o motivo, não gosto de ficar me martirizando, me culpando por algo que não tive como controlar, mas eu sei que faz mais ou menos esse tempo. Decidi sair do piloto automático e dar o rumo que seria necessário na minha vida. Aproveitei que estava saindo da escola e deixei toda, ou quase toda, minha vida antiga para trás. Inclusive meu ex-namorado, aquele que me fez muito feliz por quase dois anos. Porém, que já não era mais o mesmo – vai ver eu que não era a mesma – fácil não foi, e nunca vai ser quando se trata de seguir em frente deixando alguém pra trás. É como dizem, sobrevivência. Uma vida toda entre um ou outro relacionamento. Entre uma ou outra decepção. Já estava mais do que na hora de ser atriz principal da minha trama, e que trama! Me conhecer, saber o que eu gosto, de como eu gosto. Há quem diga eu agi errado, porém, eu sei o bem que me fiz. O começo foi árduo, e até hoje é. Ainda sinto vontade de voltar, de me desculpar por um erro que não foi meu e dizer que eu aceito ele assim. Consigo prever que não vale a pena. Como Stenphen Chbosky disse, em “As Vantagens De Ser Invisível”: A gente aceita o amor que acha que merece. Certamente, eu mereço mais. Quando me perguntam sobre minha vida amorosa, uma incógnita se forma em meus pensamentos e devaneios se formam aos poucos, vão dando espaço para uma certeza: o meu tempo do eu sozinho não acabou. Deixe que dure o tempo que precisar. Um dia a flor que guardo em meu peito volta a desabrochar.


M.

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Utopia

 

Sem ver eu sinto sua presença enquanto conversamos. Toque acidental da sua pele. Escuto o seu coração bater. O meu está batendo com o seu, como se fossem um. Respiro quando você respira.
Respiração a respiração, batimento por batimento…
Faz tudo de forma simples num mundo louco.
Eu estou tentando encontrar as palavras para dizer: Você deixa tudo bem apenas por estar por perto. 
Querido… Você me faz querer dançar e cantar. Beijar seus lábios quentes – de dor e de amor.

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Caos urbano

 

Corre-corre de todo dia
Maria ficava a observar
Sentiu-se meio perdida
Diante da pressa em passar

E, ali, naquela praça
Pousou algo em sua mão
Como se até tivesse asas
Era um dente-de-leão

Lojas, pastor, colares,
Carros, pessoas, odor,
Pedintes, fumaças, aves;
Sobra caos e falta amor

Em todo lugar: pare, observe
Ah!, se a vida fosse leve…

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Game over

 

Dos pés à cabeça os teus sinais me confundem. Você quer brincar ou amar? Essa é a pergunta que me tira do sério e sono. Entre tantas outras. Devo confessar, sou uma péssima pessoa para confiar em outra facilmente. Desconfio, por que não deveria? Tente receber tapas da vida na cara para ver se acreditará em alguém sem nem conhecê-lo direito. Entretanto, este não é o ponto por aqui. A medida que fui te conhecendo, vi-me entregando meus sonhos, meus problemas, minhas alegrias diárias entre tantas outras coisas importantes. Simplesmente confiei. Fechei os olhos para qualquer suspeita. Você transmitia isso. Encantou-me. Como quebrá-lo? Eis aqui mais uma questão, senão a principal. Quando alguém te faz se sentir em paz com uma simples conversa, acredite: este é importante. Com nossas conversas, pegava-me sonhando acordada, possíveis momentos juntos e a sós. Primeiro encontro e beijo, talvez. Parecia aquelas paixonites que a gente sente quando começa a florescer interesse em se relacionar com alguém, sabe? Algo tão inocente, doce, limpo. Infelizmente, haviam empecilhos. Não podíamos ficar juntos. Estávamos destinados a ficar na vontade sem realizá-la nunca? Torcia para que tudo de negativo fosse efêmero e logo mais estaríamos sorrindo dessa bagunça toda. Felizes. É disso que a gente precisa. Gente precisa de gente – ao lado! Os dias foram passando. As semanas foram passando. Então a contagem ficou em meses. Com o tempo as pedras em nosso caminho foram retiradas delicadamente. Não era necessário esforço. Estrada ficara livre e propícia ao nosso encontro. Estava disposta a permitir-me sentir.  Amor. Saudade. Afeto. Carinho. Tudo com você.  Não precisava de mais nada. Senti-me olhada do jeito certo e a partir disso, era o necessário e suficiente. Era um jogo de sedução meio torto e o vencedor seria: NÓS. Pensei em desistir inúmeras vezes, mas sempre que tentava fugir parecia que ficava ainda mais envolvida. Não havia nada que pudesse nos impedir de vencê-lo. Amor é plural. E quem ama, vira dois. O ruim de jogar sem saber como funciona é que podemos ser facilmente confundidos. Jogamos juntos, passei a jogar comigo mesma e ainda perdi – enquanto você já estava jogando com outra parceira.

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Se difícil ficar, aguenta.
Estiver para desabar, sustenta.
Algo estiver em falta, compensa.

Não der para aguentar, repensa.

Vale a pena continuar a tentar?
Tenta.

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Redição de Ana

Na cama, triste
Em frente, feliz
Contigo sorriste
Sem seu canto, atriz

Roubaram a inocência
Do olhar desta criança
Quanta maldade na essência
Devasta, deixando sem esperança

Quem dera, ah!, pesadelo fosse
Pois uma hora deveria acabar
Malditos!, querendo dela a posse
Como uma da vida mulher vulgar

Sem pedir licença
Ceifaram-na a alma
Desesperada a partir
Indubitável perder calma

À procura de refúgio
Perdida por aí andou
Até que num suspiro último
No amor encontrou

Alegria nas coisas mais singelas
Eram já a ela improvisada terapia
Sufocada pela do mundo e própria mazela
Se mataria sem o riso de cada dia

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