a-Deus

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De repente me vi frente a ti. Olhos nos olhos. Coração palpitando forte cada vez mais e não conseguia acreditar que tu estavas realmente ali. No instante em que aparecestes, não havia mais ninguém ao nosso redor. Só enxergava você. Oportunidade única para finalmente dizer tudo que guardava para mim. Embora só conseguisse te admirar, tentei falar tropeçando nas palavras o que tudo eu sentia. Desejava mais do que qualquer coisa que aquele momento fosse eterno. E também que a realidade fosse nada além duma quimera morta. “Diz que o que aconteceu é tudo coisa da minha cabeça, um sonho ruim, por favor” pensava ao ouvir que me amava muito. 
Seu semblante transmitia alegria e paz.
Enfim, a melhor parte de todas. Pude sentir o calor do seu corpo, embalada em seus braços como quando era apenas uma menininha. Não é à toa que a Martha Medeiros diz que tudo que você pensa e sofre, dentro do abraço se dissolve e o mesmo é o melhor lugar do mundo. Contrariando todas as malditas leis do universo, lá estávamos nós – eu e você. Foi real. Eu o sentia. Até nos afastarmos, olharmo-nos e abrir um sorriso. Estava parada diante do sorriso mais lindo do mundo! Não somente pela beleza em si, mas a sua raridade. Notamos naquele silêncio que era a despedida que pedi a Deus. Não precisou ser mais nada dito.
Sua imagem foi ficando cada vez mais translúcida…
Acordei.
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Tum. Tum.

SAUDADE é querer voltar no tempo ao abraço.

Encontro de dois corações batendo juntos. Tum tum tum tum. Ao dizer isso, ao você ler isso – eternizou. Os momentos do poeta ficarão pra sempre. O encontro dos corações batendo juntos ficará pra sempre. Graças a você que leu. Tum tum tum tum. Porque assim como fotos, as palavras tornam eterno tudo aquilo que for – ou não, pra ser. Você tem agora na sua mente um abraço, um encontro… E isso não há como ser apagado.

Tum. Tum. Tum. Tum.

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Hóspede por estação

Nessa cidade tem ruas de todo tipo
Do modelo clássico ao esquisito
Muros altos, largos e resistentes
Outros parecem ceder ao soprar entre os dentes

Não ouso passar em algumas casas
Amo liberdade e valorizo minhas asas
Naquelas moram o orgulho, a falsidade…
E quem só ama a própria identidade

Quero casas onde o bem faça morada
Expulse a maldade para a estrada
Que ela vá para bem longe
Aqui o Amor reina e a Paz é o conde

Relacionamento, chama-se a cidade
Trago na mala bons sentimentos e idade
Há por aí alguém que a carregue,
Guie e aceite-me como hóspede?

Relaxe que eu fico por estação
E um cafuné, vou-me no verão
Ao sair deixo-te belas cartas
Amo liberdade, valorizo minhas asas

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Deixa

Está sentindo tudo que sinto sem sentido? Sem direção. Sem rumo. Sentimentos são assim mesmo. Mas sinta. O importante é sentir. E ouvir, você está ouvindo? Calma. Calma. Desliga os sons. Desliga tudo. Só não desliga o peito. Faça silêncio e ouça. O barulhinho de prazer nesta noite fria. Fria lá fora. Cheios de desejos, almas tão vazias. Dentro é quente. Quente de afeto. Quente de amor. Quente de sentir o que não faz sentido. Você sente? Você ouve? Pare. Preste bem atenção no que não é dito por aqui. Nem precisa. Copos e corpos. Falarão por si. Ouve. Pra quê palavras, amor? Pra quê sentido no sentir? Não faz sentido algum.

                             Deixa estar. Deixa ficar. Deixa sentir.

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Vendedor ambulante

Vendo o prematuro
Vendo o aborto
Vendo o imaturo
Vendo o morto 

Vendo o amor
Vendo a saudade

Vendo o pudor
Vendo a maldade

Vendo a crença
Vendo a guerra
Vendo a doença
Vendo a Terra

Vendo a ração
Vendo o rico
Vendo o pão
Vendo o circo

Vendo à beça
Vendo o prazer
Vendo a cabeça
Vendo o entorpecer

Vendo o desencanto
Vendo o sobretudo
Vendo o espanto
Vendo um futuro

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Mesa de bar

Deixei naquela mesa de bar todos os meus medos e anseios. A dor de tudo o que foi perdido. O desejo de ter dito um último “eu te amo” a um amigo, ente querido ou amor esquecido. Vergonha das vezes me vesti de algo além de mim mesma afim de agradar alguém ou daquilo que não fiz nem foi dito; uma maior ainda da busca pelos meios obscuros a fim de escapar desta maldita realidade. Sonhos deixados para trás e largados numa gaveta, assim como os mais singelos desejos. Paixões que definharam por alguma razão ou coisa outra qualquer. Amizades que a distância pegou firme e jogou fora. Certeza de que se o tempo fosse médico eu seria a sua pior paciente em curar as mágoas do passado – hoje, pesadelos que me acompanham.
Saudade? Ah!, essa é a minha fiel companheira de birita.

Deixei tanto…

Deixei-me, naquela mesa de bar.

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