Sobre um amor livre

Eu a conheci por um acaso numa saída qualquer, com pessoas aleatórias no meio da semana. Aquele sorriso torto com covinhas, olhos apertados e batom vermelho mudaram a minha vida. No meio de uma cerveja ou outra, nós começamos a conversar. A festa? As pessoas? Tudo pareceu tão banal. É impressionante a capacidade de algumas pessoas marcarem a tua vida dum jeito a ponto de tornar a passagem do tempo algo irrelevante. Ela era essa pessoa. A cada dia que passava eu queria mais e mais a companhia dela. As conversas. As histórias. Os sorrisos, beijos, abraços e sexo. Tudo era tão gostoso. Sentia-me um dependente daquilo. Atraído cada vez mais pela liberdade dela de simplesmente ser. De curtir a vida e querer aproveitar coisas que passam tão despercebidas para a maioria das pessoas, como a chuva que ao cair em nós parece limpar a alma e as energias ruins. Ou, talvez, os breves minutos durante o pôr e nascer do sol. Era do tipo de pessoa que no meio de um dos nossos encontros: parou de falar, virou-se para a lua e passou um tempo ali quieta observando. Observá-la, fez-me querer fazer o mesmo afim de entender o que se passava dentro daquela cabecinha. Ignorando o fato de que havia sido ignorado. Depois, ainda em silêncio, começou a procurar algo em sua bolsa. Virou para mim e pediu que eu observasse tudo que estivesse ali até ela falar novamente. Acatei o que ela disse. Estávamos num parque, sentados na escada de um edifício. Haviam pessoas, animais, pontos de vendas de comida, árvores. Fiquei perguntando-me o que diabos estava acontecendo. E qual era o objetivo disso tudo. Para mim aquilo era tão normal. Observar o quê? Era uma pegadinha? Ela pegou dois fones de ouvido, um adaptador e conectou tudo ao celular. Colocou uma das suas músicas preferidas: Dog days are over – Florence + The Machine, entregou-me um dos fones e falou “põe, não fala nada e continua observando”. Não conhecia a música. Mas nos primeiros segundos ali sentado, ouvindo e observando tudo ao redor fez todo o sentido. A música realmente tem um poder imenso sobre nós. Sobre como percebemos o mundo. É incrível. Ainda mais vindo dela. Caramba, que mulher! Ela disse que era uma das coisas que mais gostava de fazer quando estava sozinha em algum lugar; o fato de ter compartilhado isso comigo só me fez querer ficar com ela cada vez mais. Conhecer. Saber o que mais de tão interessante ela guardava pra si. Senti-me honrado. Orgulhoso. Feliz. E apaixonado. Muito apaixonado. Estávamos juntos há algumas semanas, entretanto, nunca tive tanta certeza sobre alguém na vida como tive nesse exato momento. Meses foram se passando. As pessoas que conviviam conosco questionavam a nossa relação. Menosprezavam. Davam palpite. Nunca havíamos dito “somos namorados”. Sempre falávamos “estamos juntos”. Era clara a pressão para que houvesse um status envolvido. Sei lá, ela nunca falou a respeito e nem eu senti necessidade disso no tempo. Estávamos tão bem entre nós dois. O bastante para ignorar isso tudo. Apesar de parecer que éramos um grude. Não. Cada um tinha suas ocupações e compromissos. Ela era livre. Eu era livre. Éramos o suficiente para escolhermos amar um ao outro pelo tempo que fosse possível,  seja um dia depois ou pelo resto da vida.

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O primeiro beijo

— Olá, você gostaria de ficar comigo? Digo, no trabalho, a dupla… Desculpa!

— Sim, claro. – Mônica responde, sorrindo, mas tão nervosa quanto Eduardo.

Enquanto a aula retomava seu curso inicial, eles iniciaram uma troca de mensagens a fim de marcar o dia para fazerem o trabalho. Ficou combinado de que no dia seguinte após a aula, à tarde, Mônica iria pra casa de Eduardo. No dia seguinte, ansiedade, nervosismo e expectativa tomava de conta desses dois. E lá foi Mônica tocando na campainha com suas mãos suando tão frio quanto o famoso “frio na barriga”. Eduardo abriu, eles se cumprimentaram e foram até a sala. Conversaram, fizeram o trabalho, lancharam e chegou, infelizmente, a hora de se despedirem. Mônica ao arrumar seu material deixou cair um lápis e quando ela abaixou-se para pegá-lo, Eduardo fez a mesma coisa e o resultado foi o toque delicado de uma mão sobre a outra. Eles se olharam. Estavam mais próximos do que o normal. Aproximaram-se, pouco a pouco… Até que finalmente aconteceu.

Todo beijo lembra tudo sentido no primeiro de todos. Coração vulcânico. Corpo entra em erupção: de amor.

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5 de Agosto

 

Dia 5 de agosto de 2013 vai sempre ficar marcado em minha memória. Estava em casa, às 6h30 da manhã para ir a escola como qualquer outro dia normal de aula. Era o recomeço das aulas. Porém, mesmo sendo mais um dia comum, eu me sentia um pouco diferente. Como se fosse um presságio, sabe!? Mas eu nem perdi tempo em tentar prever algo. Isso sempre gera algo não saudável. Continuei minha arrumação e cheguei na escola com meu amigo, estávamos indo para a sala. Primeiro fui deixá-lo na sua, porque nós estudávamos em salas diferentes. Encontrei algumas pessoas, algumas piadinhas para descontrair e tudo, mas nada diferente. Eu continuava nervoso, não sabia pelo quê. Fiz o caminho para a minha e ao chegar na porta, meio de relance e meio indeciso, eu olhei toda a sala, e quando os meus olhos estavam em direção ao fundo da sala, reparei uma garota diferente. Uma menina que estava com uma cara não muito amigável. De longos cabelos pretos, olhos castanhos escuros, óculos rayban, rosto branquinho e lisinho. Sentada e quietinha, do jeito de um anjo que não existe em nenhum sonho, ou apenas no meu. Aquele olhar me prendeu de uma tal maneira, sabe!? Um olhar de menina vivida. De menina que conhece o mundo em que vive, que tem seus passos todos pensados e seus atos todos calculados. Olhos que observam tudo e escondem um mundo. Não demorou mais do que três segundos para eu descobrir que estava totalmente apaixonado e que essa menina estaria eternizada como minha amante e minha namora, até agora. Hoje temos 1 ano e 5 meses de namoro, mas posso dizer que o dia em que ela mais me tocou, foi no dia 5 de agosto de 2013.


Cavaleiro Errante.

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Mesa de bar

Deixei naquela mesa de bar todos os meus medos e anseios. A dor de tudo o que foi perdido. O desejo de ter dito um último “eu te amo” a um amigo, ente querido ou amor esquecido. Vergonha das vezes me vesti de algo além de mim mesma afim de agradar alguém ou daquilo que não fiz nem foi dito; uma maior ainda da busca pelos meios obscuros a fim de escapar desta maldita realidade. Sonhos deixados para trás e largados numa gaveta, assim como os mais singelos desejos. Paixões que definharam por alguma razão ou coisa outra qualquer. Amizades que a distância pegou firme e jogou fora. Certeza de que se o tempo fosse médico eu seria a sua pior paciente em curar as mágoas do passado – hoje, pesadelos que me acompanham.
Saudade? Ah!, essa é a minha fiel companheira de birita.

Deixei tanto…

Deixei-me, naquela mesa de bar.

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