A Flor

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Bom, acho que a última coisa que importa aqui e agora é o meu nome. Mas de antemão, devo confessar que sou uma das pessoas mais confusas do mundo. Com certeza, se existisse um top 10 sobre isso, o meu nome estaria lá no topo. Sempre foi assim. Quando se trata sobre decidir o que é melhor pra mim, meu cérebro para de raciocinar, e olha, faço isso costumeiramente para outras pessoas. 

Tenho 17 anos, muito bem vividos por sinal, posso dizer que já passei por tudo ou por quase tudo que uma garota da minha idade poderia ter passado. Já me apaixonei por um melhor amigo, que no fim não se mostrou ser o que eu idealizei que ele fosse – e tá aí o meu maior defeito, idealizar as pessoas. Um dia eu paro. Mais uma promessa pra ser cumprida daqui pro final da vida. Também já fiz alguém se apaixonar por mim, sem ter a intenção de amá-lo, e juro, juradinho, que me arrependo muito por isso e sempre que isso vem à tona, fico mal. 

Nunca fui daquelas que fazem questão de ter a vida exposta, nunca fiz a “olha, eu estou sofrendo, por favor, sinta pena de mim” desde bem pequena, gostava mesmo resolver minhas coisas por mim, – na maioria das vezes, só bagunçava mais – aprendi muito com isso. 

Eu e o meu caos, sempre tão unidos, sempre nos complementando. E quanto a isso, acredito que tenho alguma doença grave. Hoje, prefiro o meu caos do que uma bela calmaria. O caos sempre me rendeu mais, sempre me trouxe mais. 

Faz mais ou menos seis meses, prefiro não lembrar o dia exato e nem o motivo, não gosto de ficar me martirizando, me culpando por algo que não tive como controlar, mas eu sei que faz mais ou menos esse tempo. Decidi sair do piloto automático e dar o rumo que seria necessário na minha vida. 

Aproveitei que estava saindo da escola e deixei toda, ou quase toda, minha vida antiga para trás. Inclusive meu ex-namorado, aquele que me fez muito feliz por quase dois anos. Porém, que já não era mais o mesmo – vai ver eu que não era a mesma – fácil não foi, e nunca vai ser quando se trata de seguir em frente deixando alguém pra trás.

É como dizem, sobrevivência. Uma vida toda entre um ou outro relacionamento. Entre uma ou outra decepção. Já estava mais do que na hora de ser atriz principal da minha trama, e que trama! Me conhecer, saber o que eu gosto, de como eu gosto. Há quem diga eu agi errado, porém, eu sei o bem que me fiz.

O começo foi árduo, e até hoje é. Ainda sinto vontade de voltar, de me desculpar por um erro que não foi meu e dizer que eu aceito ele assim. Consigo prever que não vale a pena. Como Stenphen Chbosky disse, em “As Vantagens De Ser Invisível”: A gente aceita o amor que acha que merece.

Certamente, eu mereço mais. Quando me perguntam sobre minha vida amorosa, uma incógnita se forma em meus pensamentos e devaneios se formam aos poucos, vão dando espaço para uma certeza: o meu tempo do eu sozinho não acabou. Deixe que dure o tempo que precisar. Um dia a flor que guardo em meu peito volta a desabrochar.


M

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Visitando uma comunidade

pes

 

“Estava visitando uma comunidade carente da cidade junto ao grupo voluntário que fazia parte. Levamos lanche e fizemos várias brincadeiras com crianças que estavam ali presentes. Mas numa delas, pedimos que elas tirassem os calçados e um garoto chegou a uma amiga próxima a mim:

— Tia, desculpa, eu não vou tirar porque não tenho. —, disse ele.

Fiquei perplexa e questionando: há coisas que consideramos serem problemas que nem se comparam a uma realidade dessas. E feliz por estar ali ganhando sorrisos de cada uma. Sem dúvidas, a grandeza mais linda é aquela do coração!”

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Ato final

palhaço assustador

A pior parte de perder alguém que amamos é o fato dela levar consigo uma parte de você. Haverão momentos nos quais a dor da despedida tomará de conta por algum tempo. Podem ser horas, dias, semanas, meses, anos e até mesmo para sempre. Imprevisível e indeterminado. Nesse tempo, somos irresponsáveis por nossas ações.

Como poderia ser quando a emoção fala mais alto que a razão e coisa outra qualquer? De repente, você se encontra ali, perdido, sem saber o que fazer em seguida. Para os outros aparentará sempre melhor do que como realmente está. As pessoas dizem coisas do tipo “vai ficar tudo bem com o tempo” e perguntam como você está inúmeras vezes.

Mas aqui está a verdade, no fundo nem se importam com sua resposta e preferem a mentira descarada de que tu estejas bem a ter de escutar seus pesadelos e lidar com os mesmos. Eu entendo isso. Quem gostaria de problemas alheios quando já tem os seus, não é mesmo? Ninguém verdadeiramente os quer ao menos que seja pago por isso. Grande sociedade! Rica em preços. Miserável em valores.

Tenho dito: Os vermes da putrefação são tão leais quanto às lágrimas aos pés do seu leito de morte e todo o sentimento ante e póstumo. É válido ressaltar sobre os dois mais profundos e sobressaídos, amor e arrependimento. Juntos? Dilaceram a alma e mente, pouco a pouco, como o veneno colocado para junto da comida de mais uma vítima de Paulo Ruan, chamada Lídia.

Com uma infância cheias de abusos oriundos de uma mãe, Patrícia, submissa e pai, Ricardo, covardemente agressivo. Paulo Ruan canalizou todo o seu ódio às mulheres que viria a matar. Um garoto doce e inocente tornou-se homem impiedoso, frio e calculista. Fazia com que a pessoa acreditasse em todo o seu teatro sobre o quanto a amava. Cada detalhe acerca da rotina e costumes era analisado por esta mente destruída. Ações e reações.

Começava a envenenar aos poucos, mas não com o intuito de matar logo e sim a fim de causar danos lentamente ao corpo e psicológico da vítima. Chegava a tal ponto do prestatito oferecer-se a ajudar, ganhando confiança e ternura da pessoa enquantoa deixava impotente e submissa quanto a, respectivamente, ele e Patrícia – primeira de vinte e cinco mortas. Único homem foi seu genitor.

Graças a herança de seu primeiro homicídio – seus pais, vivia sempre mudando de cidade, nome, aparência e personalidade. Lídia tinha lá seus 48 anos, médica, morava sozinha, sem animais de estimação e um filho que estudava noutro país. Desde o seu divórcio, não havia dado a si  chance de encontrar alguém novo. Para seu azar, resolveu dá-la a pessoa errada.

Após meses saindo juntos, Paulo Ruan já estava com todos os preparativos prontos e a cada hora mais ansioso com o esperado dia aproximando-se. No fundo, ele sabia que tudo sairia com o planejado até ali. Entretanto, como as demais vezes só iria relaxar a partir do momento em que ela desse seu último suspiro de vida. Era um prazer assistir a morte de uma vítima. Sentia-se orgulhoso.

Cegamente ele não percebeu diante dos olhos sua semelhante. Pelas ironias existentes, dois seres tão compatíveis encontraram-se numa noite nada casual. Dois atores doentes num teatro macabro. Já dizia Vinícius de Moraes, a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.

Esperado sábado à noite. 

A atuação para um ali se encerrou junto a sua existência.

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