Eduardo Marinho – Observar e Absorver

“Nascido numa família de classe média, Eduardo Marinho tinha uma vida confortável e abastada. Ele passou num concurso do Banco do Brasil, depois entrou na escola militar e, finalmente, foi aprovado na faculdade de direito – mas estava profundamente angustiado. Foi então que largou tudo para buscar um sentido para vida. Chegou a morar na rua e dormir em cima de cama de papelão, mas encontrou a felicidade na simplicidade.

Os questionamentos de Eduardo começaram ainda na infância, quando ele foi com sua mãe até uma favela onde ela pagava uma promessa distribuindo comida para os necessitados. O pequeno Eduardo ficou chocado com a miséria que descobriu naquele dia e começou a perguntar por que algumas pessoas deviam viver assim. A sua angústia só aumentava a cada passo da jornada que se seguia: qual o sentido daquele trabalho no Banco do Brasil? Por que ele devia reprimir manifestações populares quando estava no exército? Como os militantes do movimento estudantil não conheciam os pobres de quem eles tanto falavam?

Cheio de dúvidas, Eduardo largou tudo e foi viajar pelo Brasil sem dinheiro e deserdado pela família. No caminho encontrou respostas para muitas de suas dúvidas e adquiriu uma maneira muito particular de enxergar o mundo e buscar uma vida mais justa. Uma maneira baseada mais na emoção que na razão.

Sem dúvidas ele foge dos clichês. A medida que fui assistindo a esse documentário, mais eu fiquei impressionada com algumas reflexões que ele traz à tona. Não é o tipo de pessoa que quer te oferecer uma opinião mastigada esperando que tu aceite aquilo calado e morra ali. Tudo que ele reflete e repassa, te inspira a fazer o mesmo e transmitir isso a outras pessoas. Da importância do que hoje, na nossa sociedade, não é levado como algo importante.

Lembrou-me também do filme In The Wild (trailer), Eduardo Marinho é como se fosse o Christopher McCandless brasileiro.

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Morte – Pedro Bial

A morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta idéia: MORRER!!!
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente… De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um chiste. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça. Por isso viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida… Perdoe… Sempre!

assinaturaaaa

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