Game Over

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Dos pés à cabeça os teus sinais me confundem. Você quer brincar ou amar? Essa é a pergunta que me tira do sério e sono. Entre tantas outras. Devo confessar, sou uma péssima pessoa para confiar em outra facilmente. Desconfio, por que não deveria? Tente receber tapas da vida na cara para ver se acreditará em alguém sem nem conhecê-lo direito. Entretanto, este não é o ponto por aqui. A medida que fui te conhecendo, vi-me entregando meus sonhos, meus problemas, minhas alegrias diárias entre tantas outras coisas importantes. Simplesmente confiei. Fechei os olhos para qualquer suspeita. Você transmitia isso. Encantou-me.

Como quebrá-lo? Eis aqui mais uma questão, senão a principal. Quando alguém te faz se sentir em paz com uma simples conversa, acredite: este é importante. Com nossas conversas, pegava-me sonhando acordada, possíveis momentos juntos e a sós. Primeiro encontro e beijo, talvez. Parecia aquelas paixonites que a gente sente quando começa a florescer interesse em se relacionar com alguém, sabe? Algo tão inocente, doce, limpo. Infelizmente, haviam empecilhos. Não podíamos ficar juntos. Estávamos destinados a ficar na vontade sem realizá-la nunca?

Torcia para que tudo de negativo fosse efêmero e logo mais estaríamos sorrindo dessa bagunça toda. Felizes. É disso que a gente precisa. Gente precisa de gente – ao lado! Os dias foram passando. As semanas foram passando. Então a contagem ficou em meses. Com o tempo as pedras em nosso caminho foram retiradas delicadamente. Não era necessário esforço. Estrada ficara livre e propícia ao nosso encontro. Estava disposta a permitir-me sentir.  Amor. Saudade. Afeto. Carinho. Tudo com você.  Não precisava de mais nada.

Senti-me olhada do jeito certo e a partir disso, era o necessário e suficiente. Era um jogo de sedução meio torto e o vencedor seria: NÓS. Pensei em desistir inúmeras vezes, mas sempre que tentava fugir parecia que ficava ainda mais envolvida. Não havia nada que pudesse nos impedir de vencê-lo. Amor é plural. E quem ama, vira dois. O ruim de jogar sem saber como funciona é que podemos ser facilmente confundidos. Jogamos juntos, passei a jogar comigo mesma e ainda perdi – enquanto você já estava jogando com outra parceira.

 

FIM DE JOGO


Música sugerida: You and Me – Lifehouse

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1 de Janeiro – Contagem Regressiva

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Estávamos os dois afastados da multidão reunida na areia da praia, apenas observando a felicidade estampada em cada rosto existente por ali. Quantas histórias, alegrias, dores, expectativas. Mas, principalmente, quantos sonhos! Desejos de todos os tipos para mais um ciclo que ali se iniciara. A chance de um novo e limpo recomeço. Ansiedade tomava de conta de todos.

— As pessoas colocam tanta responsabilidade no coitado do primeiro dia do ano quando na verdade nada e nem ninguém a possui além de nós mesmos. Somos responsáveis pela nossa felicidade e isso não cabe a terceiros, dias ou afins. Infelizmente, na aplicabilidade a coisa toda desanda. Jogamos tudo em cima de coisas e pessoas! Esse é o nosso pior erro, pois a partir do momento em que damos tal liberdade, aquela pessoa tem o direito de fazer o que bem entender, inclusive menosprezar e jogar fora como um lixo qualquer. Esquecemos de que, no fundo, não é o 1 de janeiro que representa o final de um e início de outro ciclo. A cada amanhecer um recomeço. Todo dia você tem a chance de recomeçar. Reinventar-se. Portanto, sejamos revolucionadores de nós mesmos – todos os dias. Soluciona dores.

Com a aproximação da contagem regressiva tão esperada em todos os anos, as famílias e casais se abraçavam e demonstravam seu afeto, gratidão e alegria por estarem ali compartilhando aquele momento juntos. Permanecíamos afastados. Assustei-me e depois soltei uma gargalhada meio torta, isso sempre acontecia entre mim e eles: os fogos de artifício – começaram a serem soltos e o céu de repente virou uma tela.

A cada minuto a pintura nele era mudada para algo ainda mais belo. Toda aquela paisagem era propícia ao nosso amor. A multidão excitada, a areia gelada, o céu numa mistura de cores incríveis e o azul. Ah! o azul intenso do mar que automaticamente me remetia ao dos seus olhos. Tão profundo. Como eu gostaria de me afogar em teu olhar e dele não mais sair por nada além de um sorriso grande e torto.

— Cinco! Quatro! Três! Dois! Um! Feliz ano novo!

Foi uníssono. Mais um 1 de janeiro chegara. E ali, naquele momento tão romântico ficamos a sós, apenas observando. Com o tempo, não sabia ao certo se estava a olhar o mar ou o seu olhar. Meu único desejo não podia ser realizado. Então o fiz de outra forma: que você permanecesse vivo dentro de mim até o fim já que ao meu lado já não era mais possível.


Música sugerida: Vento no Litoral – Legião Urbana

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