Amórfica

mal abriu os olhos
era hora de fechar
vida mal começa
tem que acabar

dor comanda
serotonina inibida
nada funciona
amórfica

corpo esvai
parte do ciclo
enquanto lembrai
não é esquecido

alma ramifica
falta em cada canto
a cadeira está vazia
peito cheio de sinto

tanto
e tudo

assinaturaaaa

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aDeus

Todos nós sabemos que iremos morrer em algum dia, mas por alguma razão temos um medo terrível quando o assunto é esse. Se for possível prolongar a nossa vida ao máximo, estamos dispostos a fazer qualquer coisa para tal: ter mais tempo. Nem que seja um pouquinho. Ah, o tempo! Ele vai passando tão depressa, levando os anos consigo e quando menos damos conta chegou a hora da despedida. Nossa, como eu odeio despedidas. Dá um nó aqui dentro, sabe? Mas hoje tudo que eu mais queria era ter tido despedidas em especial. Por sentir esse temor e querer evitar o inevitável tanto assim, é difícil lidar quando isso acontece com o outro também. Como aceitar que chegou a hora de dizer “adeus”?

Ninguém em sã consciência quer dizer isso a alguém que ama. Infelizmente, às vezes, você não tem essa chance… De falar tudo que sente aí dentro, mesmo sabendo que por mais que fale o que vier à mente ainda assim não seria o suficiente. Ainda assim, haveriam mais palavras a serem ditas. Ainda assim, haveriam mais abraços para serem dados. Ainda assim, teria em mente de que tudo já vivido até ali não foi o suficiente. Não é, nem será. Esse é o mal de não saber lidar com a morte. Mesmo sendo ela a única certeza na vida. É difícil e doloroso. O que é a dor senão algo que merece ser sentido? E necessário. Até aquela que te deixa catatônico por algum tempo – talvez segundos ou minutos – debaixo de um chuveiro processando a pior notícia da sua vida.

É claro que faz parte do processo vital os mais velhos irem antes dos mais novos. Meus avós irem. Meus pais irem. E, em algum ponto a minha vez de ir também. Um ciclo natural. Eu sei. Todo mundo sabe disso. Só que quando você vê seu pai passar por tanta coisa dolorosa que é estar num tratamento de câncer, é impossível desejar que ele não saia daquela bem. A esperança, de fato, é a última a morrer. Há coisas que acontecem no meio disso tudo que te marca. E essa marca vai ficar em ti pro resto do teu tempo. Não tem como fugir disso. Não tem como dizer que com o passar dos dias você vai esquecer. Ou seja lá outras frases que usam nessas horas que parecem mais um manual pronto de “O que dizer para alguém que acabou de perder outra pessoa”. Sem querer ser mesquinha. Sou grata a essas palavras.

Em algum momento acalmou o meu coração e… Passou. Afinal, era pra ser assim. Tudo passará. Só que não é bem dessa maneira que acontece. Algumas coisas você simplesmente não esquece. E fica revivendo de novo, de novo, de novo, de novo e de novo. Os dias bons. Os dias ruins. As últimas conversas. Os últimos abraços… Talvez você esteja se perguntando o por quê, quisera eu saber. É involuntário. Pergunto-me inúmeros porquês, entretanto, acho que jamais terei as respostas. Eu seria muito tola se negasse algo que faz parte de mim, mas seria ainda mais se dissesse que não queria mais lembrar de tudo que foi negativo. Sobretudo, isso também conta. Faz falta. Falta que te deixa um vazio. Saudade que te deixa por um fio.

Odeio despedida. Nunca tive uma despedida com meu pai. Nunca pude dizer tudo que tenho engasgado na garganta. Nunca pude dizer o quanto eu o admirava. Demais. Nunca pude dizer que tudo bem ele chorar por sentir medo do que estava por vir. Todos nós sentimos. Nunca pude dizer que a fé e força dele me inspiravam. Nunca pude dizer tanta coisa. Coisas minhas. Coisas dele. Coisas nossas – só nossas. De mais ninguém. Nunca pude visitar naquela semana. Nunca pude acordar mais cedo. Nunca pude voltar no tempo só para ter ao menos dez segundos a mais com ele. Nunca pude me despedir. Nunca poderei nada disso. Jamais poderei esquecer a ligação que mudou tudo. O que passou, passou. A única coisa que resta é valorizar o que permaneceu. E, sempre que possível, fazer com que as pessoas que não valorizam possam enxergar o quão tênue é essa linha de estar do lado de cá e do lado de lá. Não deixe para amanhã. Faça ontem. Diga ontem. Ame ontem. Concretize tudo que estiver ao seu alcance antes que seja tarde demais.

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Yin-Yang temporal

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Ah! Tempo, como é irônica a maneira como trabalhas. Em momentos traz tudo: a cura das feridas, amor, amizade, paz, pessoas, etc… Outrora, parece uma tempestade tão forte quanto a sua destruição. E aí fica o que tem que ficar. Fica o que é forte para ficar. Sabe? Por mais que encontremos pessoas ou nascemos com elas, por mais que sejamos destinados a encontrarmos essas pessoas em algum momento irão embora. Por vontade ou por maldade – delas ou tempo. Talvez, hajam dois. Uma espécie de Yin-Yang temporal. O tempo que soma e o tempo que destrói. Sabemos que tudo passa, mas quando algo passa e fica aquela saudade que dói aqui dentro – dói dentro do peito, parece que demora mais para passar. E a saudade vai tomando conta de você aos poucos, em silêncio, enquanto você está gritante diante de tudo. Vai espalhando… Espalhando… Até que nos transformamos em saudade. Sou saudade.

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Primeira tatuagem – Dúvidas e Cuidados

tattoo

Então, havia dito num post anterior que iria me tatuar e esta é a primeira de pelo menos mais uma que está por vir. Em breve (sim, já) farei a segunda. Essa da foto eu fiz no dia 14 de abril, no estúdio Teresina Ink Tattoo com o Abel.

1. A tatuagem é em hebraico, não lembro o nome da fonte. A tradução é “Assim seja, pai. Amém (símbolo)”, e é a minha homenagem para meu pai que se foi em 2014, mas estará sempre comigo. 

2. Já vieram perguntar se sou de umas religiões estranhas. Não sou. Sou católica praticante, apesar de não concordar ou seguir algumas coisas. Eu queria fazer a homenagem em mim, não sabia direito que frase usar. Até que dei umas pesquisadas e resolvi usar tudo em hebraico. 

3. Não sei se na foto dá pra notar, mas minha tatuagem tem cerca de 6 a 7cm e o orçamento da minha foi R$120,00 e demorou uns 50min para ser feita. 

4. Quando você se risca, tem alguns cuidados e precauções para não inflamar, infeccionar ou algo do tipo:

– Ficar dois dias passando duas vezes Bepantol Derma no local suavemente. Eu passava umas 3x por medo e ânsia de cicatrizar logo.
– Ao banhar, passar sabonete no local, mas sem esfregar.
– É normal ficar saindo o excesso de tinta no processo de cicatrização.
– Depois disso, o recomendado foi passar a mesma quantidade de vezes no local um hidratante comum e de sua preferência durante uma semana. Eu ainda hoje passo pelo menos uma vez ao dia.
– Ficar sem comer frutos do mar, sushi, esse tipo de comida que pode causar a inflamação no local e evitar alimentos muito gordurosos até criar a casquinha e sumir. No meu caso, criou em menos de uma semana de tatuada, mas ainda esperei outra semana para voltar normalmente.

5. Sobre locais e níveis de dor baseado numa matéria do jornal Folha de S. Paulo: 

Muito pouca dor: ombros e antebraços
Pouca dor:
pulsos, coxas, panturrilhas e tornozelos
Dor moderada:
pescoço, testa, bíceps e baixo-ventre
Muita dor:
tórax, cotovelos, joelhos, barriga e canela
Dor extrema:
diafragma, costelas e peito dos pés

Como a minha é no ombro esquerdo não doeu quase nada! Ufa. Morri de medo antes de começar, mas depois dos primeiros minutos foi muito tranquilo. Espero ter tirado as dúvidas básicas de quem ainda não fez! Até

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O pedido a Deus

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De repente me vi frente a ti. Olhos nos olhos. Coração palpitando forte cada vez mais e não conseguia acreditar que tu estavas realmente ali. No instante em que aparecestes, não havia mais ninguém ao nosso redor. Só enxergava você. Oportunidade única para finalmente dizer tudo que guardava para mim. Embora só conseguisse te admirar, tentei falar tropeçando nas palavras o que tudo eu sentia. Desejava mais do que qualquer coisa que aquele momento fosse eterno. E também que a realidade fosse nada além duma quimera morta. “Diz que o que aconteceu é tudo coisa da minha cabeça, um sonho ruim, por favor” pensava ao ouvir que me amava muito. 
Seu semblante transmitia alegria e paz.
Enfim, a melhor parte de todas. Pude sentir o calor do seu corpo, embalada em seus braços como quando era apenas uma menininha. Não é à toa que a Martha Medeiros diz que tudo que você pensa e sofre, dentro do abraço se dissolve e o mesmo é o melhor lugar do mundo. Contrariando todas as malditas leis do universo, lá estávamos nós – eu e você. Foi real. Eu o sentia. Até nos afastarmos, olharmo-nos e abrir um sorriso. Estava parada diante do sorriso mais lindo do mundo! Não somente pela beleza em si, mas a sua raridade. Notamos naquele silêncio que era a despedida que pedi a Deus. Não precisou ser mais nada dito.
Sua imagem foi ficando cada vez mais translúcida…
Acordei.

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Mesa de bar

cerveja

 

Deixei naquela mesa de bar todos os meus medos e anseios. A dor de tudo o que foi perdido. O desejo de ter dito um último “eu te amo” a um amigo, ente querido ou amor esquecido. Vergonha das vezes me vesti de algo além de mim mesma afim de agradar alguém ou daquilo que não fiz nem foi dito; uma maior ainda da busca pelos meios obscuros a fim de escapar desta maldita realidade. Sonhos deixados para trás e largados numa gaveta, assim como os mais singelos desejos. Paixões que definharam por alguma razão ou coisa outra qualquer. Amizades que a distância pegou firme e jogou fora. Certeza de que se o tempo fosse médico eu seria a sua pior paciente em curar as mágoas do passado – hoje, pesadelos que me acompanham.
Saudade? Ah!, essa é a minha fiel companheira de birita.

Deixei tanto…

Deixei-me, naquela mesa de bar.

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