Amórfica

mal abriu os olhos
era hora de fechar
vida mal começa
tem que acabar

dor comanda
serotonina inibida
nada funciona
amórfica

corpo esvai
parte do ciclo
enquanto lembrai
não é esquecido

alma ramifica
falta em cada canto
a cadeira está vazia
peito cheio de sinto

tanto
e tudo

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a-Deus

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De repente me vi frente a ti. Olhos nos olhos. Coração palpitando forte cada vez mais e não conseguia acreditar que tu estavas realmente ali. No instante em que aparecestes, não havia mais ninguém ao nosso redor. Só enxergava você. Oportunidade única para finalmente dizer tudo que guardava para mim. Embora só conseguisse te admirar, tentei falar tropeçando nas palavras o que tudo eu sentia. Desejava mais do que qualquer coisa que aquele momento fosse eterno. E também que a realidade fosse nada além duma quimera morta. “Diz que o que aconteceu é tudo coisa da minha cabeça, um sonho ruim, por favor” pensava ao ouvir que me amava muito. 
Seu semblante transmitia alegria e paz.
Enfim, a melhor parte de todas. Pude sentir o calor do seu corpo, embalada em seus braços como quando era apenas uma menininha. Não é à toa que a Martha Medeiros diz que tudo que você pensa e sofre, dentro do abraço se dissolve e o mesmo é o melhor lugar do mundo. Contrariando todas as malditas leis do universo, lá estávamos nós – eu e você. Foi real. Eu o sentia. Até nos afastarmos, olharmo-nos e abrir um sorriso. Estava parada diante do sorriso mais lindo do mundo! Não somente pela beleza em si, mas a sua raridade. Notamos naquele silêncio que era a despedida que pedi a Deus. Não precisou ser mais nada dito.
Sua imagem foi ficando cada vez mais translúcida…
Acordei.
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Mesa de bar

Deixei naquela mesa de bar todos os meus medos e anseios. A dor de tudo o que foi perdido. O desejo de ter dito um último “eu te amo” a um amigo, ente querido ou amor esquecido. Vergonha das vezes me vesti de algo além de mim mesma afim de agradar alguém ou daquilo que não fiz nem foi dito; uma maior ainda da busca pelos meios obscuros a fim de escapar desta maldita realidade. Sonhos deixados para trás e largados numa gaveta, assim como os mais singelos desejos. Paixões que definharam por alguma razão ou coisa outra qualquer. Amizades que a distância pegou firme e jogou fora. Certeza de que se o tempo fosse médico eu seria a sua pior paciente em curar as mágoas do passado – hoje, pesadelos que me acompanham.
Saudade? Ah!, essa é a minha fiel companheira de birita.

Deixei tanto…

Deixei-me, naquela mesa de bar.

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