Opostos não dispostos

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Uma vez escutei que nós não conseguimos nos afastar daquilo que faz bem. E eu queria estar certo disso. Bater nesse peito doído, cheio de histórias e dizer que o meu apego era somente a quem me fazia assim. Você não se encaixava nessa equação, mas por alguma razão sempre está aqui. Diferente de todos. O tempo passa, às vezes some e quando menos dou conta aparece novamente. Por que insistir em alguém como eu? Fico a me perguntar inúmeras vezes isso. Sou quebrado. Em todos os sentidos. Já me entreguei totalmente tantas vezes que nem sei mais quem sou – completo. Por alguma razão, nos teus braços eu respiro leve. Mesmo com o coração acelerado.

Esse teu espírito de ser livre e querer o que quer, mas mudar a todo instante é a nossa maior divergência. Você nasceu para voar e eu para ancorar. Você quer aquilo que te prende o fôlego. Eu quero aquilo que me faça suspirar baixinho e bem fundo. Você quer sentir da maneira mais intensa. Eu quero a  calmaria. Você quer conhecer o mundo. Eu quero só um canto meu. Você quer corpo, alma e tudo que mais puder vir no pacote. Eu quero apenas o colo pra descansar a cabeça e um cafuné. Você quer o mundo. Eu quero o suficiente. Nem sempre a querência de dois significa que eles desejam o mesmo. Somos opostos, não dispostos colocando o amor pra dormir para sempre.

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aDeus

Todos nós sabemos que iremos morrer em algum dia, mas por alguma razão temos um medo terrível quando o assunto é esse. Se for possível prolongar a nossa vida ao máximo, estamos dispostos a fazer qualquer coisa para tal: ter mais tempo. Nem que seja um pouquinho. Ah, o tempo! Ele vai passando tão depressa, levando os anos consigo e quando menos damos conta chegou a hora da despedida. Nossa, como eu odeio despedidas. Dá um nó aqui dentro, sabe? Mas hoje tudo que eu mais queria era ter tido despedidas em especial. Por sentir esse temor e querer evitar o inevitável tanto assim, é difícil lidar quando isso acontece com o outro também. Como aceitar que chegou a hora de dizer “adeus”?

Ninguém em sã consciência quer dizer isso a alguém que ama. Infelizmente, às vezes, você não tem essa chance… De falar tudo que sente aí dentro, mesmo sabendo que por mais que fale o que vier à mente ainda assim não seria o suficiente. Ainda assim, haveriam mais palavras a serem ditas. Ainda assim, haveriam mais abraços para serem dados. Ainda assim, teria em mente de que tudo já vivido até ali não foi o suficiente. Não é, nem será. Esse é o mal de não saber lidar com a morte. Mesmo sendo ela a única certeza na vida. É difícil e doloroso. O que é a dor senão algo que merece ser sentido? E necessário. Até aquela que te deixa catatônico por algum tempo – talvez segundos ou minutos – debaixo de um chuveiro processando a pior notícia da sua vida.

É claro que faz parte do processo vital os mais velhos irem antes dos mais novos. Meus avós irem. Meus pais irem. E, em algum ponto a minha vez de ir também. Um ciclo natural. Eu sei. Todo mundo sabe disso. Só que quando você vê seu pai passar por tanta coisa dolorosa que é estar num tratamento de câncer, é impossível desejar que ele não saia daquela bem. A esperança, de fato, é a última a morrer. Há coisas que acontecem no meio disso tudo que te marca. E essa marca vai ficar em ti pro resto do teu tempo. Não tem como fugir disso. Não tem como dizer que com o passar dos dias você vai esquecer. Ou seja lá outras frases que usam nessas horas que parecem mais um manual pronto de “O que dizer para alguém que acabou de perder outra pessoa”. Sem querer ser mesquinha. Sou grata a essas palavras.

Em algum momento acalmou o meu coração e… Passou. Afinal, era pra ser assim. Tudo passará. Só que não é bem dessa maneira que acontece. Algumas coisas você simplesmente não esquece. E fica revivendo de novo, de novo, de novo, de novo e de novo. Os dias bons. Os dias ruins. As últimas conversas. Os últimos abraços… Talvez você esteja se perguntando o por quê, quisera eu saber. É involuntário. Pergunto-me inúmeros porquês, entretanto, acho que jamais terei as respostas. Eu seria muito tola se negasse algo que faz parte de mim, mas seria ainda mais se dissesse que não queria mais lembrar de tudo que foi negativo. Sobretudo, isso também conta. Faz falta. Falta que te deixa um vazio. Saudade que te deixa por um fio.

Odeio despedida. Nunca tive uma despedida com meu pai. Nunca pude dizer tudo que tenho engasgado na garganta. Nunca pude dizer o quanto eu o admirava. Demais. Nunca pude dizer que tudo bem ele chorar por sentir medo do que estava por vir. Todos nós sentimos. Nunca pude dizer que a fé e força dele me inspiravam. Nunca pude dizer tanta coisa. Coisas minhas. Coisas dele. Coisas nossas – só nossas. De mais ninguém. Nunca pude visitar naquela semana. Nunca pude acordar mais cedo. Nunca pude voltar no tempo só para ter ao menos dez segundos a mais com ele. Nunca pude me despedir. Nunca poderei nada disso. Jamais poderei esquecer a ligação que mudou tudo. O que passou, passou. A única coisa que resta é valorizar o que permaneceu. E, sempre que possível, fazer com que as pessoas que não valorizam possam enxergar o quão tênue é essa linha de estar do lado de cá e do lado de lá. Não deixe para amanhã. Faça ontem. Diga ontem. Ame ontem. Concretize tudo que estiver ao seu alcance antes que seja tarde demais.

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Quantos “e se” você coleciona?

E se.

Expressão comprimida na qual contém todos os nossos medos e anseios acerca do passado, do presente e do futuro. Faz-nos pensar sobre tantas coisas.

“E se eu tivesse dito aquilo?” “E se isso/aquilo acontecer?” “E se eu tivesse feito isso?” “E se eu seguisse aquele conselho?” “E se eu acreditasse…?” São algumas das inúmeras perguntas iniciadas pelas mesmas palavrinhas poderosas.

As lembranças, os arrependimentos, as relações, os desejos. Sentimentos, pensamentos, tempo e gente. Tudo interligado. E tem coisa pior do que ficar se questionando sobre algo que não aconteceu e não poderá mais acontecer?

É, porque daquilo que passou, passou. Deixe passar. Não devemos guardar nada além do que o que foi bom, porém, sem apego exacerbado. Essas sim, são as únicas memórias que merecem e deveriam permanecer sempre vivas dentro de cada um de nós.

Porque não importa o quão seguro de si você acredite ser. Realmente, não importa. Sempre haverá “e se?” e o segredo é não prender-se a nem um.

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A Vida Infinita

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Numa aula a professora questionou: “O que é vida?” e pensando sobre isso, neste momento, questiono a mim mesma o oposto… O que é morte? Quando nós realmente morremos? Ou será que, na verdade, nunca estaremos totalmente mortos? Acredito que passamos a entender melhor o quão frágil é a vida e temos a oportunidade de valorizar estar vivo, de fato, graças ao contato com o fim da mesma de alguma forma.

A dor vem e deve ser sentida. Dos fios de cabelo ao dedo do pé. Do peito à última lágrima caída. Ao fim da vida, os momentos bons sobrepõem-se à qualquer despedida. Todos os dias, cada vez mais a saudade fica – tomando de conta. A dor esvai. Convenhamos, os entes queridos que vão, eternizam-se em cada memória que fica. Chego a conclusão de que, enquanto as lembranças existirem, a nossa chama não se apagará mesmo quando ao pó nosso corpo retornar. 


In Memoriam aos entes queridos que já partiram, deixando uma saudade imensa em quem permaneceu por aqui. Especialmente à uma das mulheres que conheci mais guerreira, forte e cheia de luz – foi-se nesta semana.

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Lei de Amar – Inteiro

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Acho que eu sempre tive isso em mim de ser 8 ou 80. Não saber – nem querer – ser meio termo. Essa história de ficar em cima de muro esperando alguma decisão cair do céu não é comigo. Sinto urgência nas coisas, nas pessoas e nos amores.

Quando escutei a música “Sentimental” de Los Hermanos a primeira vez, pensei: “Puts! Fizeram essa para mim. Quem? Quem é mais sentimental que eu?” (Risos) E ao declarar-me assim, não quero que interpretem como alguém que chora por tudo e qualquer coisa,  não. 

Para ser sincera, sou o oposto disso. E acho que sempre fui dessa maneira. Se você já me viu chorar, algo muito ruim aconteceu ou eu venho guardando tanta coisa que transbordo. É chorando que deixo-me rasar as tristezas. O choro traz alívio ao peito – por mais que inicialmente nem pareça. 

Sou intensa. Gosto de intensidade. No modo de viver, nas relações, nos sentimentos. Se eu não te suporto, é com todas as minhas forças e muito difícil retroceder quanto a isso. Mas, se eu te amo irei amar de corpo e alma. É assim que tem que ser: seja inteiro e ame da mesma maneira, não pela metade. 

Quem gosta de migalhas é pássaro! De acordo com a Lei de Amar: Inteiro — Todas as pessoas têm o direito de serem amadas completamente até que se prove o contrário. E, cá, por meio deste reclamo o meu direito de ser amada exatamente dessa forma. Aos que discordam, fale agora ou cale-se e saia da minha vida imediatamente. Pois por aqui só o bem fica e propaga.

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Não ame por alguém

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Acho que quando o assunto é relacionamento, uns querem saber mais do que outros, não é? Conselhos são aos montes! Mas dessa bagunça podemos tirar vários aprendizados. Indubitavelmente, algo que sigo fielmente é isso:
Ame a si e ao próximo, mas não por alguém.


Sejamos sinceros, tem coisa pior do que uma pessoa amando por duas? Uma inteira apaixonada por uma metade. Não há suficiência. Nem muito menos reciprocidade, o que é essencial em qualquer relação que formos construir na vida. Tendo isso em mente, fica mais uma linha a ser seguida: Reciprocidade não tem haver com intensidade, mas sim retorno + compatibilidade + querer. “Como não tem?” Não, não tem.

Porque se alguém não te ama tanto quanto gostaria (mas ama!), isso não quer dizer que ela não esteja te amando da maneira como possa. A questão que fica: é o bastante pra você? Ou você só vai querer alguém que seja exatamente como quer, inclusive na maneira de amar e personalidade, o que é impossível?

A-m-e. O amor é a resposta.

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A Borboleta e a Flor

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“A alma é uma borboleta… há um instante em que uma voz nos diz que chegou o momento de uma grande metamorfose…” Rubem Alves

E assim como as borboletas, estamos sempre em uma constante mudança. Seja física, mental ou emocionalmente.

  • Para mudanças físicas: uma dose de coragem.
  • Para mudanças mentais: uma dose de tolerância.
  • Para mudanças emocionais: uma dose de amor próprio.

E em toda e qualquer situação, que tenhamos sempre aquela força e aquela determinação a fim de enxergar que tudo é vário. Seja alegria ou tristeza, será passageiro. A cada amanhecer um recomeço. Já dizia Raul Seixas: “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante / do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.  Acredito que não poderia descrever-nos melhor. Somos metamorfoses – a cada minuto que passa uma mudança acontece, mas no final dos dias a nossa verdadeira essência sempre irá prevalecer. Portanto, preocupe-se sim com o que tens transmitido. Todo mal ou bem enviado para o mundo retornarás a ti. E, tem coisa melhor do que receber amor?
Espalhe amor por onde flor.
Florescerá. 

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Reflexos sobre nós

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Expectativas… Como lidar? Estamos sempre dizendo para nós mesmos “não crie expectativas”, mas adivinha só: é inevitável. A partir do momento que o assunto é do seu interesse, você vai ter esse tipo de sentimento afetando – positivamente ou não, seus pensamentos. Positivamente porque o que seríamos se não tivéssemos nossos desejos? Sonhos? Objetivos? Já parou pra pensar?

No livro 1984 do George Orwell, a sociedade é vigiada e proibida de refletir por conta própria acerca de qualquer coisa e, consequentemente, ela não é permitida sentir qualquer coisa: raiva, alegria, tristeza – nada disso. E ao lê-lo, ficava pensando muitas vezes em como seria viver assim. Tudo tão preto e branco. Insuportável! Eu gosto de – todas as – cores.

Mas sabe o pior? Quando alguém se acha no direito de agir como se você não sentisse nada por dentro ou simplesmente resolve tratá-la como algo descartável. As pessoas estão sempre fazendo isso umas com as outras. É terrível. Parece que elas pararam de se importar com o impacto que as suas ações causam na vida dos próximos.

Até as que se dizem filantrópicas (acredite) são capazes de agir dessa maneira r-i-d-í-c-u-l-a. Caso se identifique com essas atitudes aqui vai um desejo carinhoso: querida(o), espero do fundo do coração que você prove das suas próprias atitudes, pois só assim sentirá o efeito que elas causam!

A coisa mais fácil de ser quebrada em cada um é o coração.
Coloque-se no lugar da outra pessoa antes de agir feito babaca sobre isso, sua baixa auto-estima não é desculpa ou justificativa. 

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